Os pedestres em Nárnia
Três anos depois do sucesso da primeira abordagem cinematográfica, estão de volta à telona os cenários e os principais personagens de uma das obras literárias infantis mais cultuadas nos países de língua inglesas - no Brasil a aceitação, embora considerada editorialmente bem-sucedida, não chega aos pés do culto em que se transformou a obra em muitos países.
Esta segunda abordagem dos livros de histórias medievais (ou imediações...) do irlandês Clive Staples Lewis, nos quais muitos críticos vêem mensagens cristãs não exatamente disfarçadas, aliás bem explícitas mesmo, é baseada em ''Príncipe Caspian'', terceiro livro da coleção publicada na íntegra no Brasil. Quem gostou do primeiro filme (baseado no segundo livro e não no primeiro) não deve se decepcionar, e pode até tirar mais proveito se preferir a ação físicas (leia-se combates) à digressões em esfera mais elevada. A movimentação prevalece em ''As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian'', em lançamento nacional (confira a programação de cinema na página 2).
Detentora da franquia, a Disney não mudou quase nada em termos da produção anterior. Permaneceram o diretor Andrew ''Shreck'' Adamson - impressionante como este pessoal anda trabalhando cada vez menos, enquanto as CGI (imagens geradas por computador) fazem quase tudo - e parte do elenco, que volta a exercitar-se em longas e infindáveis caminhadas, entrecortadas por lutas e mais lutas.
Já faz um ano desde que Lucy (Georgie Henley), Edmund (Skandar Keynes), Peter (William Moseley) e Susan (Popplewell) não estão mais na terra mágica que eles um dia governaram como reis e rainhas. No entanto, 13 séculos se passaram em Nárnia, e uma raça de humanos conhecidos como Telmarines (com estranho e inexplicável sotaque espanhol) está mandando no reino. Mataram todas as criaturas, e governam pela violência sob as ordens do vilão Milaz (Sergio Castellito), que usurpou o poder do jovem Caspian (Ben Barnes). Com a ajuda do quarteto original, o herdeiro de fato vai combater o usurpador.
O que é inegável aqui é a ausência daquela magia que transbordava (até demais) no primeiro Nárnia, apesar das reaparições da Feiticeira Branca e do leão Aslan. Assim, o que parece definitivo é a falta de real transcendência, aquilo que configura os grandes épicos, literários e/ou cinematográficos, aquele sentido de universalidade que, por exemplo, sobrava em ''O Senhor dos Anéis''. Por isso ''Caspian'' caminha, caminha e não levanta vôo. Em momento algum. (C.E.L.J.)





