Os opostos se atraem
Se há alguma dúvida na meteorologia ou no calendário sobre se o fim do ano está mesmo próximo, basta uma olhada nos lançamentos de novembro. É tempo de desova geral nas distribuidoras. Quer dizer, abrir espaço para os grandes lançamentos de fim de ano, Natal, Ano Novo, vacas mais consistentes. E então é o momento de estar às voltas com o que interessa menos ainda do cinema americano, já por si desinteressante enquanto veículo de idéias.Mais um exemplo, o terceiro lançamento desta semana.
Amor ou Amizade (veja a programação de cinema na página 4) é sobre um rapaz e uma garota que se encontraram pela primeira vez quando tinham ambos 12 anos. O encontro não foi dos melhores, e Ryan (Freddie Prinze Jr.), e Jennifer (Claire Forlaine) carregaram por mais 10 anos uma relação de amor-e-ódio. Até que finalmente dormem juntos, ele estudante de engenharia estrutural, ela se iniciando em Latim. O sexo traz resultados desastrosos. É claro, para o bem de todos, principalmente das platéias sub-23, que eles são apaixonados um pelo outro, mas depois daquela noite uma enorme frieza se abate entre eles. E ela não entende por que.
O filme não explica satisfatoriamente o desastre pós-coito, o que é uma pena. Porque é por alí que as coisas poderiam ser melhor entendidas, este jogo macho-fêmea, homem-mulher, amigos-amantes, companheiros. O roteiro é por demais pueril para deixar de lado as frivolidades habituais que desaguam neste flagelo exportado pela civilização americana que se chama sitcom teen, e que hoje infesta as salas escuras, as cabecinhas e as camisinhas ao vento. Amor ou Amizade é contemplativo e inócuo e interminável. Em suma, um filme sem importância. Não é que não se goste dele, isto é até possível. O que é certo é que não se importem com ele, e isto é muito mais grave.
(C.E.L.J.)





