ReproduçãoOswaldinho do Acordeon: ‘‘Vejo muitos sanfoneiros, mas não há divulgação’’Sempre inovador, Oswaldinho do Acordeon, responsável pela miscelânea de baião e forró com erudito, foi ainda mais longe na finalização de seu novo disco: o músico foi buscar um novo instrumento em Nova York, tudo para ampliar ainda mais a qualidade do seu som. Seus dois acordeons Mide - o outro instrumento foi encomendado aqui mesmo no Brasil - são comandados por computador e garantem um som apaixonante.
A primeira faixa, ‘‘Forró Feroz’’ - que dá título ao CD - convida os forrozeiros a dançarem ao som instrumental. ‘‘Um Tom Para Jobim’’, em parceria com Sivuca, e ‘‘Segura as Calças’’ ressoam os acordes desse discípulo do mestre Pedro Sertanejo, seu pai, que lhe presenteou com uma sanfona de quatro baixos quando o compositor tinha 6 anos de idade.
Já as canções ‘‘Fato Consumado’’, de Djavan; ‘‘Outro na Buraqueira’’, do próprio Oswaldinho, ‘‘Sete Marias’’, de Sá & Guarabyra; ‘‘Luz da Ira’’, em parceria com Biguá; ‘‘Vem Cá Morena’’ e ‘‘Vem Comigo’’, ambas em parceria com Paulo Nascimento; contam com a voz suave de Detty Alonso.
Festas juninas Neste 17º disco, Oswaldinho preocupou-se mais com os arranjos e, consequentemente, só vai cantar no próximo álbum, cujo repertório foi direcionado às festas juninas. Para a escolha das músicas, o sanfoneiro contou com o auxílio da filha Samantha, de 14 anos. ‘‘Esse CD não é muito tradicional. Ele foi feito para o mês de junho, época do Carnaval do sanfaneiro’’, diz ele. E é lá na terra do Carnaval, em Salvador e interior da Bahia, que Oswaldinho promete animar o arrasta-pé até o sol raiar.
Quem imagina que a sanfona está fora de moda, engana-se, na opinião de Oswaldinho. ‘‘Vejo muitos sanfoneiros, mas não há divulgação. A mídia só fala sobre o assunto - e muito pouco - em festejos juninos. Em Fortaleza, quando se vê um sanfoneiro destacar-se, alguém logo contrata para as bandas’’, revela, e acrescenta: ‘‘o acordeon, que antes era usado só para a música regional, teve uma evolução bárbara’’.
O forró também não ficou parado no tempo, na opinião do compositor. ‘‘Apesar de o forró ser um ritmo, ele é também uma dança. Hoje, está cheio de bandas tocando esse estilo’’, admite Oswaldinho, o primeiro a fazer o forró eletrônico na década de 80 - incluindo guitarra e piano eletrônico - quando misturou o som caipira ao erudito, sem perder o clima, no disco ‘‘Forró In Concert’’. A experiência vinha dos estudos num conservatório de música erudita.
Foi essa irreverência que o levou a tocar no Exterior, agradando a gregos e troianos. Países como Suíça (onde participou do Festival de Jazz em Montreaux, em 80), França, Alemanha e Itália - que apreciam sanfona - não hesitaram em receber o compositor brasileiro por várias vezes. Ano passado, Oswaldinho foi premiado com um acordeon Skandalli, no Festival Astor Piazzola, na Itália. Ele costuma frequentar ainda os palcos dos Estados Unidos e Japão. Por enquanto, Oswaldinho está em turnê nacional.

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