Os novos sons do sanfoneiro
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quinta-feira, 01 de maio de 1997
Mera Teixeira Agência Estado 
ReproduçãoOswaldinho do Acordeon: Vejo muitos sanfoneiros, mas não há divulgaçãoSempre inovador, Oswaldinho do Acordeon, responsável pela miscelânea de baião e forró com erudito, foi ainda mais longe na finalização de seu novo disco: o músico foi buscar um novo instrumento em Nova York, tudo para ampliar ainda mais a qualidade do seu som. Seus dois acordeons Mide - o outro instrumento foi encomendado aqui mesmo no Brasil - são comandados por computador e garantem um som apaixonante.
A primeira faixa, Forró Feroz - que dá título ao CD - convida os forrozeiros a dançarem ao som instrumental. Um Tom Para Jobim, em parceria com Sivuca, e Segura as Calças ressoam os acordes desse discípulo do mestre Pedro Sertanejo, seu pai, que lhe presenteou com uma sanfona de quatro baixos quando o compositor tinha 6 anos de idade.
Já as canções Fato Consumado, de Djavan; Outro na Buraqueira, do próprio Oswaldinho, Sete Marias, de Sá & Guarabyra; Luz da Ira, em parceria com Biguá; Vem Cá Morena e Vem Comigo, ambas em parceria com Paulo Nascimento; contam com a voz suave de Detty Alonso.
Festas juninas Neste 17º disco, Oswaldinho preocupou-se mais com os arranjos e, consequentemente, só vai cantar no próximo álbum, cujo repertório foi direcionado às festas juninas. Para a escolha das músicas, o sanfoneiro contou com o auxílio da filha Samantha, de 14 anos. Esse CD não é muito tradicional. Ele foi feito para o mês de junho, época do Carnaval do sanfaneiro, diz ele. E é lá na terra do Carnaval, em Salvador e interior da Bahia, que Oswaldinho promete animar o arrasta-pé até o sol raiar.
Quem imagina que a sanfona está fora de moda, engana-se, na opinião de Oswaldinho. Vejo muitos sanfoneiros, mas não há divulgação. A mídia só fala sobre o assunto - e muito pouco - em festejos juninos. Em Fortaleza, quando se vê um sanfoneiro destacar-se, alguém logo contrata para as bandas, revela, e acrescenta: o acordeon, que antes era usado só para a música regional, teve uma evolução bárbara.
O forró também não ficou parado no tempo, na opinião do compositor. Apesar de o forró ser um ritmo, ele é também uma dança. Hoje, está cheio de bandas tocando esse estilo, admite Oswaldinho, o primeiro a fazer o forró eletrônico na década de 80 - incluindo guitarra e piano eletrônico - quando misturou o som caipira ao erudito, sem perder o clima, no disco Forró In Concert. A experiência vinha dos estudos num conservatório de música erudita.
Foi essa irreverência que o levou a tocar no Exterior, agradando a gregos e troianos. Países como Suíça (onde participou do Festival de Jazz em Montreaux, em 80), França, Alemanha e Itália - que apreciam sanfona - não hesitaram em receber o compositor brasileiro por várias vezes. Ano passado, Oswaldinho foi premiado com um acordeon Skandalli, no Festival Astor Piazzola, na Itália. Ele costuma frequentar ainda os palcos dos Estados Unidos e Japão. Por enquanto, Oswaldinho está em turnê nacional.


