OS NOVOS RUMOS DA DANÇA
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de novembro de 2000
Elisa Marilia Carneiro De Curitiba 
O Fest-Dança 2000 Curitiba, realizado de 3 a 8 desse mês, conseguiu seu objetivo maior de retratar os caminhos percorridos pela dança na atualidade. Através de companhias nacionais e internacionais que apresentaram suas coreografias, o festival mostrou um panorama completo, cheio de estilo e de surpresas. A diretora da Cia de Dança de Minas Gerais, Cristina Machado, circulou pelo festival como observadora convidada. Na entrevista a seguir, ela dá sua opinião sobre o que viu, traçando ainda um panorama da dança moderna e da sua evolução.
Entre as companhias que estiveram no festival qual a que melhor retrata os novos rumos da dança?
A Maguy Marin, da França, deixou bem claro em que nível de aprofundamento de pesquisa está atuamente a dança moderna. Foi essa companhia que semeou uma atitude ou um posicionamento muito significatico na Europa e na França, principalmente.
Qual é esse posicionamento?
Acho que eles partiram da decodificação da dança clássica, tentando tornar o movimento mais próximo da expressão. Sendo criado e elaborado a partir de uma tentativa de expressão e de retratação de um conteúdo ou de uma emoção. Isso gerou a necessidade de pesquisa.
Como é realizada essa pesquisa?
Como tudo no mundo, a dança evolui a partir da ansiedade do homem que vive naquele momento. Os coreógrafos são os profissionais que buscam a criação como o ar que respiram. Eles praticamente não conseguem viver se não estiverem trabalhando na elaboração do movimento. Faz parte da vivência deles. O que a gente tem visto, como retrato da dança contemporânea, é a naturalidade. As pessoas vêm buscando uma postura mais honesta de retratação do que estão querendo dizer. Mesmo pintando o corpo ou vestindo máscaras pretendem tirar os véus que existiam quando se queria contar uma história verdadeiramente.
Esses veús estariam relacionados à dança clássica?
A dança clássica exige um código muito rígido, em que a técnica é a primeira coisa considerada e só depois o bailarino começa a trabalhar a sua expressão artística. A dança clássica é bem seletiva, exige um perfil, um corpo, peso e medida perfeitos. Nada contra. A dança clássica é maravilhosa, mas vem enquadrada. Acho até que hoje, a forma de ensinar o clássico pode estar mudando para que o bailarino não faça só parte de um corpo de baile de mais de 200 pessoas como espelhos uma das outras, mas valorizando a expressão individual.
E o que ocorre no balé moderno?
O clássico valoriza a estética, a beleza visual, o sentido do etéreo, os corpos como uma paisagem. O balé moderno é completamente diferente. Há uma limpeza feita pelo impulso, pela intenção e pelo conteúdo emocional. Não é mais por onde passam braços ou a altura das pernas. Para ser um bom bailarino de dança moderna não é necessário ter feito os nove anos de dança clássica mas é preciso conhecer algumas bases porque não há como individualizar o ensino. A dança clássica apóia todas as outras.


