Os novos caminhos das artes visuais
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quarta-feira, 02 de janeiro de 2013
Adriana De Cunto<br>Reportagem Local 
Curitiba - A violência em suas diversas formas, a interação entre o homem e a natureza e questões de gênero, sociais e políticas são temas que transitam pelas obras de 25 artistas brasileiros expostas no 64ª edição do Salão Paranaense, que acontece no Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Curitiba. Embora o vídeo, as instalações e a fotografia tenham sido os formatos escolhidos pela maior parte dos artistas, meios de expressão mais tradicionais, como a pintura, o desenho e gravura também estão presentes na mostra.
Dos 25 artistas, cinco foram convidados pelos curadores por atravessarem um período de bastante visibilidade e reconhecimento. São eles: Armando Queiroz, de Belém (PA); Carmela Gross e Rosana Paulino, ambas de São Paulo (SP); Mabe Bethônico, de Belo Horizonte (MG); e Rodrigo Braga, de Manaus (AM). O manauara acaba de participar da Bienal de São Paulo.
Os outros 20 participantes foram selecionados dentro de um universo de 833 propostas enviadas para os organizadores do Salão. A diretora do MAC, Lenora Gomes de Mattos Pedroso, conta que esta 64ª edição registrou recorde de projetos, título que anteriormente pertencia ao Salão de 1987, que despertou o interesse de 711 artistas. A mostra acontece de dois em dois anos.
Entre os participantes deste ano estão três paranaenses: a fotógrafa Fernanda Magalhães, de Londrina, e Daniel Duda e Carlos Tullio, de Curitiba, que participam com videoarte. Daniel Duda e Mariana Marcassa, de São Paulo, foram os vencedores do Prêmio Residência Artística, instituído pela primeira vez nesta edição da mostra. Cada um deles recebeu R$ 12,5 mil e a residência acontece durante cinco dias úteis em Londrina (Duda) e em Curitiba (Mariana) para desenvolvimento de obra experimental em ateliê livre, sob coorientação de um artista residente no Paraná.
O número expressivo de inscrições coincide com a primeira edição do Salão em um formato atualizado, após um ano de reflexão e discussão sobre o papel dos espaços dedicados à arte no Estado do Paraná. "Faz parte das metas para a cultura propor e valorizar o diálogo com todos os segmentos artísticos na tomada de decisões. Foi o que fizemos durante todo o ano de 2011, e esta edição do Salão Paranaense é fruto desse debate. Além de inovar com o Prêmio Residência, o Salão continua mantendo sua missão de revelar talentos e abrir os espaços do Museu de Arte Contemporânea para a apreciação e reflexão permanente sobre o universo das artes visuais", afirmou o secretário de Estado da Cultura, Paulino Viapiana, por meio da assessoria de imprensa.
Para Lenora Pedroso, mais do que um novo recorde, o grande interesse despertado pelo Salão é "uma mostra clara da necessidade do artista de buscar oportunidades para apresentar sua produção, e de que o Salão, que se caracteriza como um evento democrático, continua tendo um papel relevante a desempenhar nesse sentido". Os autores selecionados para a mostra são premiados com o valor total de R$ 205 mil.
Para a artista plástica Denise Bandeira, uma das curadoras da mostra, merecem destaque ainda a instalação sonora Teia, de Paulo Nenflidio, e o vídeo Bronze Revirado, do mineiro Pablo Lobato. "Cada uma a seu modo, essas obras fazem uma crítica à produção industrial e à automatização da sociedade contemporânea", avalia. Os dois trabalhos receberam o Prêmio Aquisição e serão incorporados ao acervo do MAC. Proveniente, quase que em sua totalidade, das diversas edições do Salão, esse acervo reúne obras de artistas como Tomie Ohtake, Burle Marx, Juarez Machado e Poty Lazzarotto, entre outros.
Criado em 1944, o Salão Paranaense é um dos mais antigos salões de arte promovidos no País. Realizado pela Secretaria de Cultura do Paraná (Seec), é abrigado pelo MAC desde 1970. Em 2005, tornou-se um evento bienal, ampliou sua área de abrangência e passou a premiar todos os artistas selecionados e convidados.
64º Salão Paranaense
Quando Até 28 de abril de 2013, de terça a sexta-feira das 10 às 19 horas; sábados e domingos das 10 às 16 horas
Onde - Museu de Arte Contemporânea do Paraná (R. Desembargador Westphalen, 16), em Curitiba
Quanto - Entrada franca
Informações - www.cultura.pr.gov.br/mac


