Os muitos encantos e sabores de Marrakesh
Marrakesh - A cena não poderia ser mais surreal: preso a uma correntinha e levado por um marroquino sorridente , um macaco dá cambalhotas para trás. Após piscar várias vezes para acreditar no que está vendo, você percebe que não poderia haver boas-vindas mais apropriada que aquela na Praça Jemaa el-Fna, a principal atração de Marrakesh.
Durante o dia, a praça onde, no século 19, se executavam sentenças de morte se transforma em palco para encantadores de cobras, contadores de histórias (em árabe, infelizmente), artistas de rua, mulheres que decoram as mãos dos visitantes com desenhos em henna, músicos... O lugar abriga também exóticos vendedores de água, além de banquinhas de suco de laranja feito na hora e uma incrível variedade de especiarias, frutas secas (as tâmaras são imbatíveis), nozes e castanhas.
Quando o sol começa a se pôr, a Jemaa el-Fna recebe outro tipo de comércio: as barracas de comida. O ''show'' fica ainda mais animado e, certamente, mais aromático. O típico cuscuz marroquino servido com frango e legumes, a sopa harire e a kafta de carne são deliciosos, vêm em porções caprichadas e saem por menos de 25 dirhans cada (R$ 6,50). Enfim, não se intimide com a loucura, a fumaça e a aparência nem sempre confiável das barracas e aproveite a culinária marroquina feita pelos e para os marroquinos.
Porém, o espetáculo não se restringe apenas à Praça Jemaa el-Fna. Atrás dela está o mais incrível mercado do Magreb. Apesar de estar organizado pelo tipo de produto, esqueça essa divisão e perca-se por suas ruazinhas você não vai ter grandes dificuldades. Mais seguro (é claro que esperto com a bolsa nunca é demais), espaçoso e interessante que o da Medina em Fez, ele oferece tudo que se vende no Marrocos. Sim, essa é a impressão, já que ali há tapetes, peles de animais (e animais vivos), belos pufes de couro, cestas de fibra, lustres, lanternas e porta velas coloridos, pratos de cobre, tecidos, mantas e xales de cores e estampas diferentes, vasos de cerâmica, muitas jóias, jogos de copinhos decorados e qualquer outro artigo imaginável no artesanato marroquino.
Suas pernas já não aguentam mais, seus olhos já não mais sabem em que prestar atenção, seu poder de pechincha já está se esgotando... A hora não podia ser mais apropriada. Bem no meio do alvoroço do mercado um verdadeiro oásis de calmaria atende pelo o nome de Bougainvillea Café (33, rue El Mousassine, Médina). Simpáticas mesinhas com mosaicos coloridos espalhadas no pátio aberto convidam para um típico chá de menta ou uma tajine de frango.
O segundo ''minioásis'' de Marrakesh também fica um pouco escondido, mas fora da Medina. No chamado Jardim Majorelle a questão é descobrir o que chama mais atenção: a vegetação exuberante que inclui 400 tipos de palmeiras, 1.800 espécies de cactos e dezenas de plantas brasileiras (isso mesmo!) ou o azul vibrante que cobre paredes e vasos floridos.
Quase um paraíso em terras marroquinas, o lugar foi criado em 1924 pelo pintor francês Jacques Majorelle, que, decidido a criar um jardim botânico, importou plantas do mundo todo, construiu fontes e espelhos d'água, lançou mão de muitas cores e ali instalou seu ateliê.
Depois de sua morte, em 1962, o jardim se tornou público e passou por um grave processo de degradação, interrompido apenas em 1980, quando Yves Saint Laurent e Pierre Bergé resolveram comprá-lo. Com uma cuidadosa restauração, a dupla preservou um patrimônio da cidade e abriu ao público um dos lugares mais agradáveis e arejados de Marrakesh. (M.D.B./AE)





