Lima - O escritor peruano Mario Vargas Llosa anunciou em Lima que seu próximo projeto literário será um ensaio sobre ''Os Miseráveis'' e a experiência histórica nela colocada por seu autor, o francês Victor Hugo.
''Retomei o ensaio que comecei em 82 e não sei por que o deixei de lado, depois de ter trabalhado nele alguns meses'', disse Vargas Llosa ao se apresentar na Hora N, programa de TV a cabo do Canal N, no qual também falou de política e sobretudo de sua recente obra, ''O Paraíso na Outra Esquina''.
Em relação a seu ensaio sobre ''Os Miseráveis'', afirmou que tem a ver com o século XIX. ''Tem a ver com a gestação de um extraordinário e maravilhoso romance, que foi uma grande representação de seu tempo, das idéias, fantasmas, fábulas e intrigas do século XIX'', acrescentou Vargas Llosa.
O autor de ''A Guerra do Fim do Mundo'', ''A Cidade e os Cachorros'', entre tantas obras premiadas, destacou que, em seu ensaio sobre ''Os Miseráveis'', abordará a obra na qual Victor Hugo ''dedicou sua vida e toda a experiência histórica da qual foi testemunha e protagonista''.
A propósito da França e ao abordar Flora Tristán e Paul Gauguin, personagens de ''O Paraíso da Outra Esquina'' - disse que quando ele era jovem ''tinha a idéia ingênua porém muito firme'' de que havia de ter a experiência européia, particularmente parisiense para ser escritor.
Vargas Llosa disse que mantém vivos seus ideais juvenis de justiça, sendo capaz de sentir ''a mesma indignação ante uma injustiça flagrante''.
''O que mudou em mim foram os métodos para alcançar a justiça social. Não acredito na via da utopia da revolução e da mudança radical, mas na do sistema de consensos, liberdade de poderes que são próprios da democracia e do liberalismo'', afirmou o escritor peruano.
Ao tratar de assuntos políticos locais, disse que percebe no Peru ''que a democracia parece ter entrado numa crise terminal'', referindo-se ao estado constante de confronto entre as instituições peruanas.
''A democracia foi boa para acabar com a ditadura (referindo-se ao regime do ex-presidente Alberto Fujimori), mas não ajudou a criar a consciência democrática no povo''.
Pediu apoio para o regime do presidente Alejandro Toledo, acrescentando que não defende a totalidade do governo, mas que ''não estão lhe dando o tempo de graça suficiente. Criticam-no exageradamente''.
Em outro momento, declarou que a classe política reflete o estado do país. ''Temos o que merecemos'', concluiu aquele que foi em 1990 candidato presidencial derrotado por Fujimori.

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