Os militares e a Nova República
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de dezembro de 2001
Ranulfo Pedreiro<Br>Reportagem Local 
A tumultuada transição para o regime democrático, sob a ótica de importantes militares brasileiros, é retratada no livro ''Militares e Política na Nova República'', organizado por Celso Castro e Maria Celina D'Araújo. A obra traz nada menos que 14 entrevistados, todos ex-ocupantes de importantes cargos públicos, como o Ministério do Exército.
Carlos Tinoco, Zenildo Lucena, Henrique Sabóia, Octávio Júlio Moreira Lima, Rubens Bayma Denys, Mário César Flores, Ivan da Silveira Serpa, Lélio Viana Lôbo, e outros revelam o clima na caserna durante momentos decisivos, como o impeachment de Fernando Collor de Melo.
Já na introdução percebe-se que o consenso inexistia entre os diversos setores das Forças Armadas. Havia uma noção generalizada de que a transição deveria ocorrer, principalmente após o fracasso do atentado do Riocentro. Henrique Sabóia, por exemplo, foi ministro da Marinha durante o governo Sarney, e comenta como enxergava a Constituinte: ''A principal preocupação era a ampliação da anistia, além daquilo que nós achávamos que era razoável e conceptível. Nós tínhamos uma posição muito firme e considerávamos a Lei de Anistia do Figueiredo como o limite do aceitável. Ela anistiava o pessoal afastado por atos de exceção e dava direito a promoções, mas mantinha esse pessoal na reserva''.
Já Mauro José Miranda Gandra, ex-ministro da Aeronáutica de FHC, lembra dos tempos de repressão: ''Era uma guerra, e numa guerra não há muita ética a verdade é essa. Não só de quem está comandando como de quem está agindo. De quem está comandando, porque perdeu o comando; de quem está agindo, porque tem um certo sadismo uma pessoa, para fazer certas coisas, tem que ser sádica.''
A ditadura é ressaltada em comentário de Alberto Mendes Cardoso, atual chefe do Gabinete de Segurança Institucional: ''De vez em quando ponho-me a pensar sobre o que teria acontecido ao mundo veja só que pretensão, mas veja só como também tem um cunho de lógica se não tivesse havido no Brasil uma reação que impedisse como impediu a comunização do país. Não é querer ver comunista atrás de poste, não; não aconteceu em Cuba?''. ''Militares e Política na Nova República'' saiu pela Fundação Getúlio Vargas, tem R$ 360 páginas e custa R$ 33,00.


