Quem vê as gargalhadas de Maria Beltrão na TV não imagina que a apresentadora já derramou muitas lágrimas nos primeiros momentos diante das câmeras. No mês em que a Globo News completa 15 anos, a jornalista - que está lá desde a criação do canal - diz que sofreu para conquistar espaço com seu jeito descontraído de dar as notícias. ''Tinha vergonha de mim, gaguejava e ficava nervosa. Eu me achava uma fraude. Era a melhor aluna da faculdade e a pior funcionária da TV'', exagera.
Depois de fazer um curso com Alice Maria, ex-diretora da Globo News, a carioca teve certeza de que nunca estaria em uma bancada de telejornal. ''Saí de lá traumatizada. Descobri que não sabia nem ler o teleprompter'', relembra, citando a tela em que os apresentadores leem os textos no ar. Dois anos depois, ela recebeu um convite para um teste e passou, mas foi contratada como editora.
''Um dia, a Alice veio até mim e disse que o Eduardo Grillo seria meu parceiro de jornal. Eu não queria, era muito estabanada, mas comecei a gravar os pilotos. Os diretores diziam eu que tinha de aprender a ter 1,5 m na tela. Mas como se eu tenho 1,81 m?'', compara. O começo foi sofrido. ''Eu saía do trabalho e ia beber chope com meus amigos para fingir que aquele dia não tinha existido.''
Hoje, a maneira irreverente de agir no vídeo virou marca registrada de Maria. ''A informalidade passou a ser uma tendência no canal. Meu jeito de apresentar o ''Estúdio i' influenciou até o ''Bom Dia Brasil'', orgulha-se. O reconhecimento, porém, não a impede de levar broncas. ''Uma vez, segurei na mão do então vice-presidente José de Alencar, e a direção disse que eu não deveria ter feito isso'', conta, referindo-se ao político morto neste ano, vítima de câncer.
Conhecida por não se conter no ar, Maria Beltrão já teve de testar o poder de concentração. ''Um convidado fez xixi nas calças ao vivo. Foi horrível, mas continuei fingindo que era tudo natural'', revela a jornalista, que certa vez teve um ataque de riso com o jornalista Sidney Rezende e nunca mais pôde trabalhar com ele. ''O ataque de bobeira virou questão institucional.''
Apesar de sonhar com um programa com plateia, Maria não quer ir para a Globo, onde já cobriu o Oscar. ''O tamanho do meu sucesso já está legal.''

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