Os mestres da pintura
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de janeiro de 2002
Nelson Sato 
Se você deixou o video cassete de lado por causa do DVD, trate de tirar o pó do velho aparelho e já ir apertando a tecla de gravação. A TV Cultura mostra, a partir de hoje, um lote de documentários obrigatórios para quem se interessa por arte e biografia de artistas.
É a série Grandes Mestres, que passa a exibir programas dedicados a nomes fundamentais da pintura depois de uma primeira temporada abordando expoentes da literatura universal como Franz Kafka, Dostoiévski, Jorge Luis Borges e Yukio Mishima. O pintor holandês Van Eyck (1385-1441) abre a segunda fase hoje, às 22h30, ao qual se seguirão Peter Brueghel (dia 17), Rubens (dia 24), Rembrandt (dia 31) e Velásquez (7 de fevereiro).
Ao todo, o pacote de Grandes Mestres conta com 48 programas. A série foi elaborada pela anglo-alemã RM Associados, uma das maiores produtoras de documentários de arte do mundo. Dividida em Grandes Mestres da Literatura e Grandes Mestres da Pintura, ela retrata as técnicas e as características - humanas e artísticas - de artistas que, por meio de suas obras, imprimiram suas percepções acerca do mundo que os rodeava.
Os filmes mesclam opiniões de teóricos com dramatizações. Atores de TV e de cinema ingleses encenam passagens da vida de escritores e pintores, além de interpretarem momentos de algumas de suas obras. O documentário de Van Eyck lança luz sobre a habilidade técnica e a grande inventividade deste pintor, considerado o precursor de uma nova etapa na pintura dos países do norte da Europa.
Atribui-se a ele e a seu irmão Hubert a fundação da escola flamenga e a invenção da pintura a óleo. Em suas obras, a realidade é refletida tal como o olho humano a percebe. Para incorporar a ilusão do espaço, o artista se valeu da então novíssima câmara escura, deixando de lado os cálculos matemáticos dos mestres italianos.
O documentário analisa as obras O Cordeiro Místico, Virgem do Canceler Rolim, Virgem de Canon Van de Paele e Arnolfini e sua Mulher, referindo-se a seu significado simbólico e à beleza de sua atmosfera. O mundo de Van Eyck era de uma nitidez luminosa. O artista enxergava as coisas mais corriqueiras com uma clareza maravilhosa e uma grande percepção da espantosa beleza que elas guardam. Sabemos pouco de sua pessoa, mas nas convicções que nos capacita a partilhar, é o mais irresistível dos pintores escreveu Wendy Beckett no livro História da Pintura.
Os documentários desta fase serão apresentados por Laura Wie e costurados pelo texto de Cacilda Teixeira da Costa. A exibição será sempre às quintas-feiras.


