Ao decidir que a série ''O Menino da Lua'' terá dez volumes, Ziraldo, garantiu mais alguns anos de trabalho - e, diz ele, outros tantos de vida. ''Vou escrever um por ano. Foi o jeito que eu inventei para enganar a morte.''
O projeto começou em 2006. O terceiro volume, ''O Menino da Terra'', foi lançado este mês durante a Bienal do Livro em São Paulo.
Enquanto isso, outro de seus rapazes comemora 30 anos de idade: ''O Menino Maluquinho'' chega à centésima edição.
A história do personagem começou durante a feira literária em 1980. Antes de a Bienal chegar ao fim, outras duas tiragens já haviam rodado. A soma, hoje, é de 2,8 milhões de livros vendidos.
''Não é todo dia que você chega a cem edições e ainda produzindo'', comemora Ziraldo. ''Vão ter de me abater com um tiro'', brinca.
''Assim como o Calvin (personagem de Bill Watterson) é o típico garoto americano, o Menino Maluquinho é o brasileiro. Ele tem piedade e abraça, é o menininho que todo o pai quer ter.''
Talvez com exceção dos politicamente corretos, já que, segundo o livro, a linha da pipa do rapaz ''cortava mais que o afiado cerol''. Além disso, nas noites de são João, o balão dele era ''o mais luminoso'' do céu.
''Ele não é um exemplo de obediência'', concorda. Mas faz troça das sugestões de revisar o texto. ''O livro é uma instituição, não mexo nele.''
O mesmo vale para fazer uma versão adolescente, a exemplo dos recentes ''Turma da Mônica Jovem'' e ''Luluzinha Teen''. ''Não se envelhece um personagem!''
Apesar de ter ido de Minas ao Rio, em 1948, com o intuito de se tornar autor de HQs, foi nas charges cômicas e nos livros infantojuvenis que Ziraldo se consagrou.
''Entrei para o humor e abandonei os quadrinhos! É outra raça'', brinca.

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