Os melhores filmes de todos os tempos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de junho de 1998
Agência Etado Reuter 
Cidadão Kane voltou a ocupar o primeiro lugar da lista dos melhores filmes americanos de todos os tempos, desta vez na seleção elaborada pelo American Film Institute (AFI), apresentada pela rede de TV CBS na noite de anteontem.
Admirado pelos críticos, Cidadão Kane, dirigido e estrelado por Orson Welles, nunca foi um filme popular, mas os nove filmes que o seguem na lista conseguem agradar a gregos e troianos. A lista foi elaborada a partir de 400 filmes na qual votaram 1.500 críticos, atores, cineastas e personalidades, entre elas o presidente americano Bill Clinton. Entre os critérios de seleção estavam a importância histórica, reconhecimento da crítica, popularidade, medida por meio de bilheteria, vendas e aluguel em vídeo.
O segundo lugar ficou com Casablanca, a clássica história de amor com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, que saiu dos estúdios como uma produção B para transformar-se num cult. Surpreendentemente, O Poderoso Chefão ficou com o terceiro lugar e passou a ser o único a ter uma sequência incluída na lista: O Poderoso Chefão 2 ficou em 32º lugar.
E o Vento Levou..., que para muitos é o maior filme já produzido nos Estados Unidos, ficou com o quarto lugar. Não é à toa também que cinco das produções de 1939, considerado o melhor ano da indústria americana, aparecem na lista: No Tempo das Diligências (63º), O Morro dos Ventos Uivantes (73º), A Mulher Faz o Homem (29º). Lawrence da Arábia aparece em quinto lugar, seguido por O Mágico de Oz, A Primeira Noite de um Homem, Sindicato de Ladrões e A Lista de Schindler, de Steven Spielberg, que assina quatro outros filmes da lista: E.T. O Extraterrestre (25º), Tubarão (48º), Os Caçadores da Arca Perdida (60º) e Encontros Imediatos do Terceiro Grau (64º). O décimo lugar ficou com um clássico dos musicais, Cantando na Chuva.
Para o público jovem, a lista sem dúvida poderá ser porta de entrada para a produção dos anos 30, 40 e 50. Poucos filmes da década de 90 foram incluídos entre as cem melhores: O Silêncio dos Inocentes (65º), Forrest Gump, o Contador de Histórias (71º), Dança com Lobos (75º), Fargo (84º), Os Bons Companheiros (94º), Pulp Fiction (95º) e Os Imperdoáveis (98º). Dois desenhos animados dos estúdios Disney, Branca de Neve e os Sete Anões (49º) e Fantasia (58º), integram a lista. Katherine Hepburn é a atriz com maior número de filmes entre os melhores: Uma Aventura na África (17º), Núpcias de Escândalo (51º), Levada da Breca (97º) e Adivinhe quem Vem para Jantar (99º).
O diretor Billy Wilder aparece com quatro filmes - O Crepúsculo dos Deuses (12º), Quanto mais Quente Melhor (14º), Pacto de Sangue (38º) e Se Meu Apartamento Falasse (93º) - bem como Alfred Hitchcock, cineasta de Psicose (18º), Intriga Internacional (40º), Janela Indiscreta (42º) e Um Corpo que Cai (61º).
Segundo a crítica americana, há omissões imperdoáveis na relação do American Film Institute. Ficaram de fora todas as comédias de Buster Keaton e Ernst Lubitsch, os filmes de Greta Garbo e os musicais estrelando Fred Astaire e Ginger Rogers, entre outros.
O AFI, que perdeu os subsídios governamentais que recebia, conseguiu numa única noite movimentar o mercado americano, com o programa transmitido pela CBS (que rendeu cerca de US$ 10 milhões só em publicidade) e o relançamento em vídeo de todos os filmes da lista, resultado de um acordo inédito firmado entre 13 grandes estúdios de Hollywood. A revista Newsweek, que também patrocinou o evento, chegou hoje às bancas americanas com uma edição especial sobre os filmes. Na esteira da divulgação da lista, a TNT, emissora a cabo, apresenta a partir do dia 23 uma série de dez especiais sobre as produções escolhidas.


