Os melhores do Festival
Os melhores do Festival
Vencedores do Fest Cine
Vídeo serão conhecidos hoje
em Curitiba após apresentação
do inédito Alô?
Zeca Corrêa Leite
O dia mais esperado do Fest Cine Vídeo de Curitiba chegou. Esta noite serão conhecidos os filmes vencedores do festival, na categorias 16mm, 35mm, vídeo e roteiro. Caso a situação não tenha sido alterada com as exibições de ontem, os filmes que disputam a preferência são Decisão, de Leila Hipólito e Amar, de Carlos Gregório, com trilha sonora de Wagner Tiso. Ambos os diretores são cariocas.
O resultado será divulgado após a apresentação do filme Alô?, de Mara Mourão, na série Mostra Brasileira de Longas, na Sala P do Estação Plaza Show. A sessão terá início às 19 horas. A premiação está marcada para as 21h30.
O prêmio mais polpudo é o de roteiros, aberto somente para paranaenses, que está levando o nome da Copel. A empresa premiará o melhor trabalho com R$ 15 mil. Apesar da discrição dos jurados, soube-se que o nível de apresentação dos 31 trabalhos concorrentes é sofrível.
Isso mostra o desconhecimento que existe em torno do assunto. Acredita-se que esse aspecto deverá mudar, com a realização de cursos de roteiros. Atento a isso, o próprio Fest Cine Vídeo promoveu uma oficina para roteiristas.
A série Retrospectiva do Cinema Nacional, levada no Cine Ritz, às 14 horas, contará com o filme de Cacá Diegues A Grande Cidade. À noite, na mesma sala, encerrando a Mostra de Cinema Experimentalista, terá O Despertar da Besta, de José Mojica Marins. Início às 23 horas.
A Grande Cidade é um filme de visão obrigatória. Rodado em 1966, teve o dom de trazer para o Cinema Novo a temática urbana. Estrelado por Leonardo Villar, Anecy Rocha, Antônio Pitanga, Joel Barcelos e Maria Lúcia Dahl conta a trajetória de uma nordestina (Anecy) que vem para o Rio de Janeiro encontrar-se com o noivo (Leonardo).
Ele, porém, não é mais aquele rapaz que ela conheceu. Envolvido com marginais, acaba matando um policial e tem início uma perseguição implacável. Refugiado nos morros cariocas, num certo momento ele diz que não há volta quando as mãos se sujam de sangue.
Ingênua e apaixonada, a jovem ainda tenta proteger o noivo fazendo-se de escudo às balas da polícia. Grande desempenho de Anecy Rocha num filme que termina mostrando foliões de uma escola de samba indo em direção à festa, enquanto sobe na tela um poema escrito séculos atrás sobre as belezas naturais do Rio de Janeiro. Dura ironia ante o amargor das vidas sem saída, ainda há pouco retratadas.





