Uma ficção inspirada na tragédia pessoal vivida pela morte da filha de apenas 8 anos marcou a estreia de Tiago Ferro na literatura. Autor do romance "O Pai da Menina Morta" (Editora Todavia), lançado em 2018, o escritor é um dos convidados da 38ª Semana Literária do Sesc nesta terça-feira (24). O paulistano comandará a mesa “Literatura e o lugar do sujeito no mundo”, que acontece às 19h30, no Sesc Cadeião Cultural, com entrada livre.

Tiago Ferro vai falar sobre a autoficção, a verdade e a mentira
Tiago Ferro vai falar sobre a autoficção, a verdade e a mentira | Foto: Renato Parada/ Divulgação

No bate-papo com o público londrinense, Tiago Ferro falará sobre temas explícitos e implícitos abordados em seu livro de estreia. “Pretendo falar sobre o valor da experiência literária contemporânea e os limites entre o verossímil e o inverossímil, a ficção e autoficção, a verdade e mentira”, detalha.

As temáticas escolhidas por Ferro se devem ao fato de "O Pai da Menina Morta" ter sido classificado como autoficção. O rótulo é rejeitado pelo autor que optou por escrever um romance justamente para fugir do compromisso de ser fiel aos fatos vividos por ele e pela esposa que em 2016 perderam a filha que foi vítima da gripe H1N1.

“Acredito que a autoficção não se enquadra na estrutura do romance por dois motivos. Na autoficção está implícito que o narrador se identifica com os fatos narrados. Além disso, não adotei a narrativa em primeira pessoa. Tenho rejeitado o rótulo de autoficção por achar que dá a impressão de o livro revelar indiscrições e questões pessoais do autor e isso pode gerar uma leitura empobrecida do livro”, argumenta.

Ferro revela que a repercussão em torno de seu primeiro livro superou as expectativas. “Achei interessante como alguns perceberam questões implícitas como a postura política que está ali mas não de maneira muito clara”, diz ao comentar que para escrever entrou em um processo imersivo que durou três meses. “Na época eu escrevia até no celular para não perder a inspiração. Foi um processo desgastante, pois escrevi tudo no calor do momento. Não foi um livro de um autor que elaborou o texto durante anos. Acho que se fosse hoje, talvez tivesse escrito outro livro, de forma mais leve”.

Um dos fundadores da revista Peixe-Elétrico e da e-galaxia (espaço cultural dedicado à edição e publicação de e-books), o escritor e editor acredita no aumento das publicações digitais nos próximos anos. “Até as grandes editores estão vendo com seriedade este segmento e têm apostado até em lançamentos exclusivamente digitais”, ressalta ao informar que ainda não previsão de quando lançará seu segundo livro. “Existe uma expectativa grande sobre isso devido à boa receptividade que 'O Pai da Menina Morta' obteve. Mas não quero escrever somente por escrever, mais importante que isso é ter certeza que abordarei um assunto sobre o qual tenho realmente algo a dizer”, conclui.

Serviço:

Mesa “Literatura e o lugar do sujeito no mundo”, com Tiago Ferro (São Paulo/SP). Mediação: Frederico Fernandes (Londrina/PR)

Quando – Terça-feira (24), às 19h30

Gratuito

Mesa de bambas

Juliana Barbosa, Paulo Vitor Poloni e Renato Forin Jr vão debater o samba na Semana Literária do Sesc
Juliana Barbosa, Paulo Vitor Poloni e Renato Forin Jr vão debater o samba na Semana Literária do Sesc | Foto: Divulgação

Na quarta-feira (25), o samba ganha destaque na programação da 38ª Semana Literária do Sesc. Às 19h30, o público terá a oportunidade de acompanhar o bate-papo “Naquela mesa - literatura, música e a filosofia do samba”, que reunirá a pesquisadora Juliana Barbosa, o cantor Paulo Vitor Poloni e o jornalista, escritor e dramaturgo Renato Forin Jr., todos de Londrina.

O objetivo da conversa é, de modo descontraído e participativo, promover reflexões profundas sobre a identidade popular, bem como sobre as múltiplas formas de manifestação da literatura – da palavra escrita à voz – que se encontram com o samba. Fora dos registros oficiais da classe dominante, a história do samba é registrada por ele mesmo. É de forma poética que o samba fala de seus personagens, canta seus lugares e afirma sua (r)existência. Como expressão cultural do povo negro. É um recurso de memória, de fortalecimento da tradição, de transmissão geracional e sociabilidade.

Juliana Barbosa é doutora (PhD) em Estudos da Linguagem pela Universidade Estadual de Londrina, e autora do livro “Nelson Sargento e as redes criativas do samba”. Paulo VitorPoloni é cantor, ator, produtor, preparador vocal e arranjador. Graduado em Licenciatura em Música pela Universidade Estadual de Londrina, é pós-graduado em Arte Educação e dirige a escola de artes Canto da Lira. Renato Forin Junior é mestre e doutor em Letras pela Universidade Estadual de Londrina e pesquisa as relações entre literatura, teatro e canção no Brasil. Em 2016, lançou o livro-CD “Samba de uma noite de verão” (KAN Editora), contemplado no 59º Prêmio Jabuti (categoria Adaptação).

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