Os irmãos Coen estão de volta com "O Grande Lebowski"
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quarta-feira, 07 de julho de 1999
Por Luiz Carlos Merten 
São Paulo, 08 (AE) - De "Gosto de Sangue" a "Barton Fink - Delírios de Hollywood", os irmãos Coen sempre foram objeto de culto de numerosos críticos. Talvez não fossem tão bons assim. Embora fantasioso, o humor de "A Roda da Fortuna" liberou-os para fazer "Fargo" e, aí sim, os irmãos arrebentaram. O filme é ótimo. "O Grande Lebowski", que estréia amanhã (09), não é tão bom, mas tem qualidades. Talvez os Coen já fossem geniais na época de "Arizona Nunca Mais". O melhor dos irmãos é o humor, quando eles fazem comédias humanas sobre personagens estranhos, para não dizer bizarros. Personagens sem sofisticação nem glamour. Gente como Jeff Lebowski e seu amigo Walter Sobchak, interpretados por Jeff Bridges e John Goodman.
Jeff, conhecido como Dude, é um hippie dos anos 70 perdido nos 90. Fuma maconha e ouve Creedence Clearwater Revival. Sobchak é um veterano do Vietnã cheio de defeitos, mas com uma qualidade redentora: é solidário com os amigos. E ainda existe o Donny de Steve Buscemi. Foram um trio campeão de boliche. Por piração de Dude, envolvem-se numa trama insólita. Joel Coen dirige e com seu irmão Ethan assina o roteiro, que trata de uma obsessão da dupla: um sequestro. Eles encararam "O Grande Lebowski" como uma versão atualizada das histórias de Raymond Chandler, com a diferença fundamental de que o personagem não é Philip Marlowe. Em vez do detetive durão, criaram Dude, um sujeito comum, confundido com um milionário que tem o mesmo nome.
Mafiosos entram no seu apartamento e danificam o carpete. Ele resolve cobrar o prejuízo do milionário, mas a mulher desse último é sequestrada. Dude assume o caso e, espertamente, resolve ficar com o dinheiro do resgate. Começa uma trama de logro, fraude, sexo e narcóticos, durante a qual Dude e Sobchak topam com personagens que totalizam uma galeria de párias e desajustados (incluindo eles próprios). Nada mais próprio dos irmãos Coen, que adoram fazer filmes como se fossem tratados sobre a estupidez e a ignorância (ou a forma como as pessoas adquirem o saber).
Se o roteiro é mirabolante (até demais), o jeito de filmar acelera a trama por meio de imagens inventivas e detalhes saborosos, quando não perversos. O resultado não é nota 10, mas merece, digamos, um 7. Para resumir, é divertido e inteligente, por mais que "O Grande Lebowski", ao contrário de "Fargo", perca-se em digressões narrativas e decorativas. É um filme que os Coen poderiam ter feito antes. O roteiro já estava pronto há tempos, mas eles preferiram esperar que suas agendas coincidissem com as de Jeff Bridges e John Goodman, convencidos de que eram os melhores atores para os papéis. Assim como Frances McDormand foi a intérprete mais que perfeita de "Fargo", Bridges e Goodman correspondem e contribuem para a empatia de "O Grande Lebowski".


