Os inabaláveis encantos de Buenos Aires
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terça-feira, 29 de junho de 2004
Marcos Rogério Lopes<br> Agência Estado 
Buenos Aires - Dá até para se esquecer do frio quando se visita pela primeira vez Buenos Aires, a capital argentina. Os termômetros podem até marcar 3, 4, 5 graus, mas são tantas as coisas a serem vistas, que a temperatura acaba em segundo plano. Logo na saída do Aeroporto Ezeiza, as vias largas e limpas impressionam, assim como a suntuosidade das construções. As pichações, quando existem, trazem mensagens políticas.
O automóvel avança e surge a primeira favela. Logo adiante, um senhor vende flores. No primeiro semáforo, nada mais paulistano: um garoto de seus 12, 13 anos, no máximo, equilibra três bolas de tênis em busca de alguns trocados. Minutos depois, um campo de futebol à beira da estrada lembra que não se está tão distante assim do Brasil.
Para conhecer a cidade, o mais indicado é caminhar ou pegar um táxi. As ruas são planas e é possível, sem percorrer grandes distâncias, conhecer uma porção de atrações principalmente para quem se hospedar no centro ou no requintado bairro Recoleta, na zona norte da capital.
Mas, se o tempo for curto ou a preguiça impedi-lo de andar, o valor das corridas nos automóveis pretos e amarelos chega a ser constrangedor, de tão barato. Os taxímetros começam a rodar em 1,44 peso (cerca de R$ 1,44) e, em trajetos que em São Paulo ficariam R$ 40,00 ou R$ 50,00, vão custar, no máximo, 10 pesos (cerca de R$ 10,00).
Como o cenário econômico anda instável, para facilitar o cálculo pode-se considerá-las com valores equivalentes, 1 por 1. Além da moeda local, o dólar é aceito em qualquer estabelecimento, até mesmo pelos vendedores de rua.
Entre os pontos de visita obrigatórios, o edifício do Congresso Nacional e a Casa Rosada, na região central, são imperdíveis. Aproveite e dê uma volta pela bela Plaza de Mayo isso se não estiver acontecendo nenhum piquete no momento em que você estiver por lá.
As praças, por si só, já são um espetáculo à parte. Na Recoleta, a Plaza de Francia recebe, aos sábados, mais de mil barracas com o melhor do artesanato argentino. Além do comércio, o show de artistas regionais é fascinante. Crianças, jovens, adultos e idosos sentam-se na grama para admirar os artistas, riem muito e divertem-se sem pagar um centavo. Cultura de boa qualidade e de graça é de dar inveja. Apesar de ser mais afastado do centro, vale ir ao bairro de La Boca, erguido pela colônia italiana. Ali estão o museu do Boca Juniors, dentro do lendário estádio de La Bombonera, e a colorida Rua El Caminito, com barracas e dançarinos de tango por todos os lados.
Em Buenos Aires, agradar a visão é fácil: a cidade é deslumbrante. O tato sofre um pouco por causa do frio, mas o paladar, definitivamente, não tem do que reclamar. No número 1.726 da Avenida Santa Fé, no restaurante La Madeleine, por exemplo, pode-se comer crepes inesquecíveis e bem servidos pagando de 10,99 pesos a 11,99 pesos.
O regionalíssimo bife de chorizo, em bons restaurantes, custa entre 8 e 14 pesos. O restaurante Pepe Pomo, na Rua Junín, 1.763, na Recoleta, serve a macia carne por 12 pesos. Sugestão: antes de comer o bife, tempere-o. Na Argentina é comum servi-lo sem sal. Para acompanhar, o vinho é a melhor pedida pela qualidade e pelo preço.
Comparado com o que se paga aqui, sai de graça. E leva vantagem ainda porque outras bebidas, como refrigerante, são desproporcionalmente caras. A garrafa de um bom tinto no Restaurante Central, em Palermo Hollywood (Costa Rica, 5644), sai por 12 pesos; a lata de refrigerante, no mesmo local, custa 3,50 pesos.
(*) Viagem feita a convite da Natural Mar e da British Airways


