OS HITS DÃO O TOM
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de agosto de 2000
Jackeline Seglin De Londrina 
Depois de mais de 10 anos sem se apresentar em Londrina, a dupla gaúcha Kleiton & Kledir volta hoje à cidade com o show Clássicos do Sul. Na apresentação às 21 horas, no Santo Ponto , os músicos prometem relembrar os sucessos da década de 80. Além das conhecidas Paixão, Deu Pra Ti, Vira, Virou, Nem Pensar, Maria Fumaça, Kleiton & Kledir vão mostrar composições do último CD Clássicos do Sul, um disco radicalmente gaúcho, do repertório folclórico à concepção musical.
Em entrevista à Folha2 por telefone, Kledir contou que este é um show intimista, somente com os dois irmãos no palco, no melhor estilo voz, violão e violino. É um prazer imenso, porque fica bem mais descontraído. Há um contato e uma troca maior com o público. Este formato foi uma descoberta, já que estávamos acostumados com os grandes shows, comentou. A dupla também vai apresentar algumas composições inéditas do novo CD, com lançamento previsto para o início de 2001.
Separados durante sete anos para seguir carreira solo, os irmãos retomaram a parceria em 1996 e, desde então, gravaram os discos Dois (também lançado nos Estados Unidos pela Polygram) e Clássicos do Sul (pela Universal). Kleiton & Kledir acabam de retornar de três shows no Estados Unidos, realizados em Miami, New Jersey e Connecticut. A dupla prepara vários projetos para o ano que vem. Um deles é um programa semanal na TVE/Cultura, uma revista cultural criada e apresentada pelos gaúchos.
Outro projeto é o workshop Letra e Música, a ser levado às universidades brasileiras com apoio de patrocinadores. A idéia é trocar experiências da área de criação, na maneira de compor, dissecando a música popular. É uma espécie de oficina musical com palestras e aulas, antecipou Kledir. Mas o principal trabalho é o novo disco. Enquanto Clássicos do Sul era um olhar para o passado, este é contemporâneo, um disco de carreira pra frente, com canções bonitas, universais, e alguns ritmos típicos como a polca, trabalhados com características atuais, disse o músico, sem dar mais detalhes.
Depois de Londrina, a dupla viaja para Maringá, onde se apresenta amanhã, no Teatro Marista, e para Toledo, domingo, no Teatro Municipal. A seguir, trechos da entrevista de Kledir à Folha2.
Que motivos levaram a dupla a se separar e como foi a retomada?
Foi bom, as pessoas cobraram, mas poucas sabem o quanto a gente ganhou com isso. Perdemos o tempo na mídia e tivemos que partir para a reconquista. Por outro lado, esse tempo nos deu o frescor da criação e o resgate do prazer em fazer as coisas. Nossa relação de irmão estava desgastada por causa dessa loucura que é o showbusiness. Hoje a gente voltou a fazer as coisas com prazer. E apesar da essência do trabalho ser a mesma, os conceitos musicais mudaram. Os dois discos mostram isso.
A música de vocês tem sido chamada de Tchê Music. Não é uma armadilha enquadrar-se em um movimento que pode ser considerado comercial?
Este é um termo vem sendo usado há mais de 10 anos. Eu criei. A idéia é tentar significar a nossa World Music uma música inserida no contexto amplo, universal, mas com valores regionais. Porém, um movimento já ensaiado parece não ter dado certo. Foi uma tentativa de tornar a música palatável, mas existiam gravadoras por trás... O que me agrada é algo que marque dentro do showbusiness. Mas quando se começa a mexer com ele, vem a banalização, a apelação. Tem resultados comerciais, mas não artísticos. Portanto, que não vão ficar.
Em Clássicos do Sul, a participação especial de Xuxa chamou a atenção. Por que a escolha?
O disco é uma homenagem ao Rio Grande do Sul. São temas clássicos que fizeram parte da nossa formação. Resolvemos chamar a Xuxa porque muita gente não sabe que ela é gaúcha e também nunca gravou uma música do sul. Ela cantava Pezinho quando era criança. A idéia foi resgatar a infância da Xuxa e, ao mesmo tempo, resgatar a Xuxa para o cancioneiro popular.
Paixão é uma das músicas da década de 80 que ainda hoje são lembradas nos tradicionais shows de barzinhos. Como você vê esse fato?
Paixão é um fenômeno nos barzinhos. É o tipo de música que vai ficando no gosto popular. Para um compositor como eu, isso é uma realização. A música vai se perpetuando. A gente busca esse tipo de canção e ajuda a escrever a música popular brasileira. Hoje, tanto a nova geração como o público antigo vão aos shows.
A que você atribui a permanência do sucesso dessas músicas, apesar da renovação do público?
Isso é que nem geladeira. Antigamente durava muito. Hoje a gente compra e depois de um ano já tem que trocar. Estão aparecendo bons músicos, mas a quantidade de coisas descartáveis, colocadas dia-a-dia na mídia é muito grande. O showbusiness é muito predador. Isso cria um público imenso, faturamentos volumosos, mas está arrasando com o terreno. Hoje trabalha-se com poucos artistas que vendem muito. Somos privilegiados de estarmos na Universal. Muitos não têm essa chance.
Clássicos do Sul, show com Kleiton & Kledir. Hoje, às 21 horas, no Santo Ponto (Av. JK, esquina com Paranaguá), em Londrina. Ingressos: R$ 20,00. Postos de vendas: Santo Ponto e Pátio San Miguel (Av. Higienópolis). Patrocínio: Renault. Apoio Cultural: Cedro Hotel e Rio Sul.


