Os guardiões do shogi, o xadrez japonês
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quinta-feira, 26 de junho de 2008
Erica Shimamura<br>Reportagem Local 
A porta da casa de Yukio Sato fica aberta nos dias de jogo. Mais precisamente às quintas-feiras e domingos à tarde, dias em que o Grupo de Shogi de Londrina (pronuncia-se shogui) se reúne para praticar o ''xadrez japonês''. O jogo é bastante semelhante à versão ocidental do xadrez, mas no Brasil tem poucos adeptos, pois é conhecido em geral somente pelos descendentes de japoneses.
De acordo com o presidente do grupo, Koichi Taniguchi, o jogo exige atenção, raciocínio e uma certa dose de paciência. Uma partida tem duração média de 90 minutos. ''É um jogo complicado. Ajuda a usar a mente, por isso é muito bom.''
Segundo Taniguchi, no Brasil existem seis categorias ou níveis de shogi. A passagem de um nível para outro só pode ser realizada nos campeonatos. ''O shogi brasileiro é amador'', relata. No Japão, ele conta que há dez categorias e o nível é profissional.
O Grupo de Shogi de Londrina é formado exclusivamente por homens, característica que se manteve ao longo de 42 anos. Mas esta não é a regra em todos os lugares. ''Em Maringá e Curitiba tem 'batian' (senhoras) jogando'', conta.
Kazuo Nishimura, de 90 anos, é natural de Osaka, no Japão, e acredita que para quem sabe jogar xadrez, é fácil aprender o shogi. Em 1948 ele foi o vencedor do 1º Campeonato Paranaense de Shogi.
Apesar do envolvimento do grupo, a grande preocupação que paira sobre os guardiões do shogi é a de renovar as equipes nos próximos anos.
Para se ter uma idéia, Taniguchi, de 75 anos, é o integrante mais jovem entre os 12 que compõem o grupo. Orgulho entre os membros, Takeshi Manaka comemorou no último mês de abril o 99º aniversário. ''Há 15 anos eram 45 pessoas. Mas muitos morreram ou ficaram doentes. O grupo está diminuindo a cada ano. Como estaremos daqui a cinco anos ninguém sabe'', reflete Taniguchi. Ele nasceu no Japão, na província de Hokkaido, porém foi naturalizado brasileiro e hoje reside em Primeiro de Maio.
A esperança vem de um grupo de estudantes que participou em 2006 de um campeonato em Londrina. ''Dez novatos que já frequentavam o nihongako (escola de língua japonesa) vieram. Emprestamos os tabuleiros para eles'', diz Taniguchi.
Nishimura lembra que o jogo serve para ''manter a cabeça boa, para não ficar bobo''. E ele é exemplo disso, já que aos 90 anos mora sozinho, é independente e vai de ônibus às reuniões para ver os amigos e exercitar a mente.


