Peraí! Esse bonitão que faz os gêmeos da novela das oito da Globo tem mesmo um irmão idêntico na vida real? Às vezes, até parece que sim.
Jorge e Miguel, interpretados por Mateus Solano, 28, em ''Viver a Vida'', vivem aparecendo nas mesmas cenas. Eles se abraçam, dão as mãos, e um já deu até uma chave de braço no outro, com o rosto dos dois mostrados pelas câmeras.
Os novos programas de computador são capazes de tantos truques que não se fazem mais gêmeos de novela como antigamente. Foi um ''evento nacional'' o único momento em que Quinzinho e João Victor, os famosos gêmeos de Tony Ramos, em ''Baila Comigo'' (Globo, 1981), se encontraram (a cena pode ser vista no Youtube).
O diretor Alexandre Avancini, que já fez novelas com gêmeos na Globo e na Record, conta que um dos equipamentos modernos para as cenas em que os irmãos idênticos aparecem lado a lado e em movimento chama-se ''motion control''.
''É uma câmera que custa uns 600 mil, e o aluguel no Brasil varia de R$ 40 mil a R$ 50 mil por dia. É programada pelo computador e anda em um trilho para fazer o mesmo movimento ao gravar separadamente cada personagem. Assim, as imagens têm o mesmo tempo e podem ser ''coladas'.'' A colagem, feita digitalmente, chama-se ''wipe''.
Nas novelas mais antigas, o jeito era abusar das cenas em que um dos gêmeos aparecia de frente e o outro, um dublê com corpo e cabelo parecidos com o do ator, ficava de costas. O processo era complicado para as raras cenas em que o rosto dos dois personagens aparecia. ''A gente gravava primeiro um personagem de um lado do cenário, depois o outro, do outro lado, cortava as fitas com gilete e colava as metades'', conta Nilton Travesso, veterano diretor.
Se, para diretores e equipe técnica, gêmeos dão trabalho, para o ator a vida também não é fácil. ''É muito texto para decorar, muita troca de roupa e tem que mudar de personalidade em segundos. Às vezes dou uns pulos antes de entrar em cena'', conta Mateus Solano.

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