Os filmes pioneiros do cinema paranaense
A data de abertura (ou reabertura) da Cinemateca de Curitiba é a mesma daquela de l975, quando um grupo de idealistas ajeitou o que seria o porão do Museu Guido Viaro e fez surgir ali mais que um espaço para exibição de filmes. Estava sendo criado uma espécie de núcleo que seria referência em todo o País e responsável pelo aparecimento de alguns dos principais cineastas paranaenses, como Fernando Severo, Berenice Mendes e Beto Carminatti. O marco inicial pertence ao cineasta, escritor e roteirista Valêncio Xavier que foi o idealizador do projeto.
Os objetivos principais da cinemateca que surgia eram a pesquisa, a recuperação e a formação de acervo de filmes produzidos no Paraná, cursos e incentivo à produção cinematográfica, exibição e difusão do cinema artístico, especialmente o nacional.
Com alguma folga em certos momentos e no sufoco em outros, levou-se adiante aquilo que se pretendia. Anos depois, porém, a situação ficou caótica, as instalações estavam deterioradas e filmes de importância histórica corriam o risco de desaparecerem para sempre.
A memória cinematográfica do Estado está ali. São mais de mil títulos em celulóide e 100 rolos de filmes com base de nitrato de prata. Nas novas instalações este material por fim terá as condições ideais de conservação, principalmente aqueles à base de nitrato. Devido à sensibilidade, exigem temperatura em torno de 15 graus Celsius.
Foram recuperados pelos técnicos da Cinemateca exemplares produzidos no início do século, como Panorama de Curityba e Carnaval de Curityba, ambos de Annibal Requião; Desfile do Tiro Rio Branco, de 1910, de Paschoal Segretto e o sempre citado Pátria Redimida, de João Batista Groff, com imagens da Revolução de 30.
Das décadas de 50 e 60 há documentários importantes como Indios Xetás na Serra dos Dourados, de José Loureiro Fernandes e Wladimir Kozák, Usos e Costumes dos Poloneses nno Paraná, de Hermes Gonçalves, Senhor Bom Jesus da Cana Verde, de frei Gabriel Ângelo.
Ao lado dos celulóides a Cinemateca de Curitiba guarda também uma coleção de aproximadamente 50 peças de equipamentos cinematográficos. Essas raridades são carregadas de história como a filmadora Zeiss Ikon, 35mm, modelo alemão dos anos 20, que pertenceu a João Baptista Groff. Com ela o cineasta registrou cenas da Revolução de 30.
Os apaixonados por cinema poderão fazer uso da biblioteca da Cinemateca de Curitiba, com um acervo próximo a 6 mil assuntos catalogados e informatizados. O material engloba dicionários, catálogos, folhetos, periódicos, fichas técnicas, livros e roteiros.
Há publicações raras como o Cinearte Álbum, editado no Rio de Janeiro, datado de 1930, retratando artistas famosos da época, e perto de 30 exemplares de A Scena Muda, a revista de cinema que durante anos levou aos leitores notícias da sétima arte. As pertencentes à cinemateca são dos anos 20 e 30. (Z.C.L.)





