Os números da carreira de Zezé Di Camargo e Luciano são superlativos: em 17 anos os 19 álbuns (contando os CDs de carreira, os dois trabalhos em espanhol e um duplo ao vivo) venderam 26 milhões de cópias (3 discos/CDs por minuto). Em pesquisa recente do Datafolha, a dupla, que faz em média 120 shows por ano com 30 mil pessoas por apresentação, foi apontada como a mais popular, mais escutada e a preferida do Brasil, em 2007 e 2008.
Porém, o novo álbum ''Zezé di Camargo & Luciano'' (Sony e BMG), que chega às lojas no dia 10, é como se fosse o primeiro. Nos últimos dois anos a dupla conviveu com a angustiante possibilidade de seu fim devido a um problema nas cordas vocais de Zezé. Diagnosticado com um cisto congênito, o cantor não conseguia segurar a afinação quando atingia as notas mais agudas, uma de suas características inconfundíveis. No final de 2007 a dupla foi obrigada a interromper as gravações para que Zezé pudesse se tratar. Após cirurgia realizada no início do ano e um curto período de recuperação (15 dias), o artista sentiu-se preparado para voltar ao estúdio. ''O Zezé estava tão bem que em três dias colocou voz nas 15 faixas do CD'', conta o irmão Luciano em entrevista por telefone à FOLHA.
Zezé abre o CD com um desabafo: ''Os últimos anos foram os mais difíceis da minha vida. Eu estava perdendo a minha voz''. Mas fecha otimista: ''Deus me ensinou que mais bem tenho para dar do que o mal para tirar''. Segundo Luciano, a confissão também serviu para esclarecer a boataria a respeito da gravidade do problema de Zezé, para que esta ''página fosse definitivamente virada''.
O CD contempla vários ritmos (xote sulista, forró nordestino, balada, country, reggae, sertanejo). A música de trabalho é ''O Que Vai Ser de Nós'' (''Eu vou pagar pra ver/Mas na verdade sou completamente louco por você/Sei que pisei na bola e agora posso ver/Que só aprontei, te machuquei, te fiz sofrer''). Outra célebre dupla, Roberto e Erasmo Carlos, marca presença no disco com a composição ''A Distância'', em violão e voz. O grupo Roupa Nova fez os arranjos da balada ''Não Quero Te Perder''. ''É o Amor'' (faixa-bônus), clássico da dupla de 1991, ganhou versão instrumental em violão e acordeon.
''Os músicos da nossa banda resolveram nos presentear com versões instrumentais de sucessos da carreira. Só sabemos de duas músicas que entrarão no CD (a ser lançado em breve). Será uma grata surpresa'', revela Luciano.
''Zezé di Camargo & Luciano'' é dedicado à amiga e parceira profissional Sylvinha Araújo, morta em junho deste ano em decorrência de um câncer de mama. ''Ela fez vocal na maioria dos nossos trabalhos e esteve presente em momentos especiais da nossa carreira. Quando soubemos da notícia de sua morte estávamos em estúdio e com o registro de sua voz em algumas das canções; por isso resolvemos homenageá-la'', justifica o cantor.
Mesmo com o problema vocal de Zezé, a dupla não parou a intensa agenda de shows; nem mesmo recorreu ao playback. Luciano conta que quando o irmão não conseguia atingir as notas mais agudas pedia para o público ajudá-lo a cantar. Parceiro e cúmplice do sofrimento, Luciano fazia a primeira voz de algumas canções para Zezé, que geralmente entrava na hora do refrão. Já completamente recuperado, Zezé está tentando mudar um antigo hábito: dormir e acordar tarde. ''Embora não pareça que ele tem 45 anos, a voz também envelhece'', reconhece Luciano.
Até o final do ano a dupla percorre o País com a turnê ''Duas Horas de Sucesso'', além de trabalhar na divulgação do novo trabalho. Nos dias 19, 20 e 21 de dezembro os ''dois filhos de Francisco'' pisam pela primeira vez em solo argentino mostrando o repertório em shows nos municípios de Posadas, Oberá e Eldorado. Em março, a bordo do transatlântico Costa Mágica, a dupla vai capitanear o cruzeiro ''É o Amor''. Serão três shows num passeio de quatro noites e três dias. Começam em Santos e terminam em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

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