Não faltou inspiração para Victor Fasano compor o mulherengo Tavinho, seu personagem na novela ''O Clone''. Na espera do chamado para as gravações da terceira fase da trama, o ator aproveitou para fazer uma ''pesquisa de campo''. E concluiu o que as mulheres já sabiam há muito tempo: no ''ecossistema humano-masculino'', não faltam exemplares do gênero ''Don Juan''. ''Eu via Tavinhos na rua, na praia, no shopping. Definitivamente, esta espécie não corre o menor risco de extinção'', diverte-se o ator que, fora da telinha, dedica-se à reprodução em cativeiro de espécies silvestres ameaçadas.
Há apenas duas semanas na novela, Victor ainda está se familiarizando com o personagem. Mas aposta no sucesso de seu núcleo, marcado pelo humor. Afinal, Tavinho é um quarentão narcisista que enfrenta a crise da meia-idade colecionando conquistas amorosas. Para isso, tem de driblar a vigilância cerrada da mulher, Lidiane, vivida por Beth Goulart. ''Ele é apaixonado pela esposa. Só que não consegue resistir aos encantos do sexo feminino'', defende o intérprete.
Fora da tevê, Victor Fasano garante que não é tão vaidoso quanto Tavinho e troca facilmente as roupas de grife do executivo de ''O Clone'' pelo estilo casual que adota em seu sítio, em Pedra de Guaratiba, Zona Oeste do Rio de Janeiro. ''Lá eu ando todo rasgado. Me sinto no meu habitat natural'', revela o ator, que mantém um criadouro com cerca de 150 espécies ameaçadas de extinção.
Na trama de Glória Perez, porém, ameaçado vai ficar o casamento de Tavinho e Lidiane. Tudo porque o bonitão vai cair numa versão pós-moderna do velho ''golpe da barriga''. Karla, a esperta alpinista social vivida por Juliana Paes, consegue roubar o sêmen de Tavinho, guardado em um ''banco de esperma'', e engravidar por inseminação artificial. A acusação da moça acerta em cheio a harmonia do casamento. ''Já gravei uma cena em que a garota cai na lábia do Tavinho, mas ainda não sei como a Glória vai desenvolver o assunto'', desconversa.
Foi graças a uma outra novela de Glória Perez que, há 10 anos, o então modelo Victor foi parar na televisão. A estréia aconteceu como o Zeca, de ''Barriga de Aluguel'', em 1991. Coincidentemente, uma trama onde o casamento do personagem desmoronava após a jovem Clara, vivida por Cláudia Abreu, alugar a barriga para gerar um filho de Zeca e sua mulher, Ana, interpretada por Cássia Kiss. No ano seguinte, o ator fez ''De Corpo e Alma'', também de Glória Perez, e sofreu duras críticas por sua atuação. Mas nem por isso saiu da telinha. A redenção, contudo, só veio em 98, quando o ator surpreendeu na pele do hilário ''filhinho de mamãe'' Edmundo Falcão, de ''Torre de Babel''. A parceria com Cláudia Jimenes, iniciada na trama de Sílvio de Abreu, deu tão certo que, no ano passado, eles voltaram a contracenar. Desta vez, num quadro do humorístico ''Zorra Total''.
Há três anos longe de novelas, Victor revela que já estava com saudades, mas garante que o ''ostracismo'' foi voluntário, já que é absolutamente contra a superexposição do ator. ''Esta insistência em aparecer no vídeo cansa o público. Às vezes eu mesmo não aguento ver a minha cara na tevê'', admite o ator, que chegou a ser tachado pejorativamente de ''galã'' no início da carreira e, hoje, considera o gênero o mais difícil de fazer: ''Os outros personagens podem tudo. O galã não. Sofre pela mocinha e precisa manter o ar de bom moço até o fim da novela'', acredita.
Com Tavinho, entretanto, Victor não corre esse risco. Vaidoso, divertido e galanteador, ele veio para fazer o contraponto ao amargurado amigo Lucas, vivido por Murilo Benício. O ator reconhece que ainda não teve tempo de ''interiorizar'' o personagem a ponto de sonhar com os problemas dele. Mas acredita que trata-se de uma questão de tempo. ''Quando isso acontecer é porque o personagem já ficou orgânico em mim'', entusiasma-se.
Do alto de seu 1,95 m, Victor Fasano parece ter sido feito sob medida para um elegante terno Armani. Mas, longe das passarelas e do figurino ''business'' de Tavinho, é com jeans rasgado e sujo de terra que ele se sente mais à vontade. Criado em fazenda, vendo animais silvestres e ouvindo histórias de saci, Victor tornou-se um incansável defensor da ecologia. Mas não fica só no discurso. Há 20 anos, ele tem autorização do Ibama para criar, em cativeiro, animais e plantas ameaçados de extinção. Hoje, o criadouro de seu sítio reúne cerca de 150 espécies da fauna e flora brasileira, bem como originários de outras regiões do planeta. E Victor já vem reintroduzindo os primeiros exemplares na natureza. ''Esse é meu gol'', vibra o ator.
Em nome da causa ecológica, ele já viajou para as regiões mais remotas do planeta e se envolveu na preservação de espécies tão raras quanto o antílope negro, de Angola, e as zebras gravy, no Norte do Quênia. Mas, incansável, Victor vem trabalhando para transformar estas experiências em documentários de televisão. O projeto interessou à emissora americana Discovery Channel e também está em análise na Globo. ''Esse é o programa dos meus sonhos. Tem um grande potencial e não quero desperdiçá-lo. Por isso, vamos com calma'', explica Victor, que investe seu capital pessoal para a preservação das espécies.

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