Dizem que Portugal é o Brasil na Europa. Certamente é exagero, mas tem lá seu fundo de verdade. E conhecer Lisboa ajuda a entender um pouco melhor a alma brasileira. Quando se chega à capital lusa, percebe-se que as semelhanças com o Brasil vão muito além da língua portuguesa: estão na simpatia acolhedora, na organização da cidade e num ou noutro rosto lisboeta.
É verdade que certas semelhanças não são de todo agradáveis. Há, aqui e ali, uma ligeira falta de cuidado com a riqueza histórica local, uma das maiores da Europa. Mas isso é por pouco tempo. Portugal é o primo pobre da União Européia, o que tem duas implicações: não é a França, Espanha ou Alemanha, onde tudo reluz e tudo é ouro, e com elas não pode concorrer. Mas tem sido beneficiada pelos parentes ricos, que lhe dão condições para reformar e restaurar pontos importantes da capital.
O Rossio é um deles. Antiga praça popular, passa por uma reforma que, mais do que consequência das obras do metrô, promete lhe devolver a pompa da época de sua construção. Fica na Baixa Pombalina (a parte baixa da cidade, mais movimentada), perto do Rio Tejo, e à sua volta, guardando a estátua de D. Pedro IV e suas fontes importadas da França em 1890, estão o Teatro Nacional, do século 19, e as fachadas uniformes do século 18.
A poucos metros dali, afastando-se do rio, fica a Praça dos Restauradores, em que os destaque são o neoclássico Palácio Foz e a fachada do antigo Cinema Eden, hoje um centro comercial. A praça marca o final da Avenida da Liberdade, um grande boulevard do século 19 que vale conhecer durante uma tranquila caminhada.
Voltando ao Rossio, começa, à direita (para quem está de frente para o Tejo), o caminho para a parte mais antiga de Lisboa, composta pelo Bairro do Castelo e Alfama. A subida é íngreme, como várias outras na cidade, construída sobre sete colinas.
Para quem não tem tempo ou preparo físico, há um ascensor, ou funicular (bondinho sobre trilhos), que vence boa parte da subida sai da Praça da Figueira e vai até os arredores da Sé de Lisboa.
As más línguas dizem que a Sé é uma cópia diminuta da Notre-Dame, em Paris. As boa línguas dizem o mesmo. O fato é que a construção, uma catedral medieval, românica e gótica, tem, digamos, muito mais do que as mesmas influências arquitetônicas da catedral francesa. Seu claustro abriga achados das épocas em que os romanos e os visigodos habitaram a cidade. Nas redondezas há ainda mais uma igreja, a de Santo Antônio, construção barroca do século 18 que marca o local de nascimento do santo.
No alto do monte, está o Castelo de São Jorge. Diz-se que a primeira construção no local vem da época da dominação romana, alguns séculos antes de Cristo. Depois, passaram por lá os visigodos, no século 5, e os mouros, que o ampliaram a partir do século 8. A disputa pelo castelo tinha sua razão de ser: erguido num local estratégico, servia de fortaleza e observatório – do alto das suas muralhas, pode-se vislumbrar todo o estuário do Tejo. Conquistá-lo significava ter o domínio da área.
Ao longo do tempo, o castelo sofreu inúmeras mudanças. O Paço das Alcáçovas, residência real onde, em 1488, Vasco da Gama disse ao rei ter encontrado o caminho marítimo para as Índias, não existe mais. No século seguinte, a residência real foi transferida para a parte baixa da cidade, e o local passou a ser sede de uma guarnição militar condição que se perpetuaria até a década de 1930, quando uma reforma (que modificou ainda mais o local) o transformou em ponto turístico. Vêm dessa época os Jardins Românticos, que hoje acompanham o antigo castelejo, construção central do complexo.
Saindo do castelo, vale descer as escadas e ruazinhas do bairro de Alfama, que ainda conserva moradias medievais, com suas portas de 1,5 m de altura. A apenas 150 metros do castelo, está o Miradouro de Santa Luzia, que permite uma bela vista da cidade. Aproveite e faça uma parada na Casa de Fado e da Guitarra Portuguesa (Largo do Chafariz de Dentro), onde se pode conhecer a história da tradicional música lusitana.

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