Os embates humanos, sob a ótica de Brecht
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terça-feira, 11 de maio de 2010
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A obra do dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956) experimentou ápices em décadas passadas, no Brasil, através de montagens variadas que contemplavam desde suas peças expressionistas e didáticas iniciais até as engajadas e as parábolas da fase final de sua trajetória. Depois, como no resto do planeta, foi arquivada e taxada como anacrônica.
Com a queda do Muro de Berlim, as encenações concebidas a partir de uma posição política de esquerda sumiram dos palcos. A rejeição permanece, embora os entusiastas do autor de ''O Círculo de Giz Caucasiano'' nunca deixem de apontar a vitalidade da revolta moral, base de seu teatro militante. Para a jornalista e escritora Célia Musilli, ''é possível fazer uma relação da obra de Brecht com a atualidade o tempo todo''.
''Sua obra, neste aspecto, é universal e atemporal ao abordar conflitos de classe e fazer uma crítica dos valores, virtudes, vícios. Os embates humanos não mudam e o que ainda falta é um sentido crítico para 'ler' a realidade, coisa que ele propunha o tempo todo através da arte'', assinala. A partir de hoje, Célia ministra em Londrina uma oficina gratuita: ''A Estética Engajada de Brecht''.
A promoção é do grupo Criando a Liberdade, com patrocínio da Funarte através do Prêmio Myriam Muniz. O programa do curso inclui um perfil do autor, uma discussão sobre parte de sua dramaturgia e uma análise de sua poesia. Os versos políticos serão obviamente comentados, mas Célia pretende se alongar sobre o lirismo de viés confessional, com ênfase nos poemas de amor e os eróticos. O esboço de urbanidade, presente em alguns textos brechtianos, também será examinado.
''Brecht foi um dos primeiros poetas a introduzir o tema 'cidades', (pólis) na poética, isto porque viveu época de transformações urbanas. Ele circulava pela Alemanha e via o crescimento de cidades que se tornariam metrópoles. Em torno disso, observava a relação do homem e as cidades'', salienta. Para a segunda etapa da oficina, ela preparou uma abordagem sobre o ''distanciamento'' proposto pelo ''teatro épico'' de Brecht.
Também será tratada a questão da arte vinculada a compromissos ideológicos, confrontando as ideias de Brecht com a famosa teoria do inuntensílio difundida pelo poeta Paulo Leminski nos anos 80. Ao final, os participantes serão convidados a reescrever a primeira cena da peça ''Mãe Coragem'' transpondo-a para uma situação da atualidade.
Serviço
- Oficina A Estética engajada de Brecht, com Célia Musilli
Quando - De hoje a sexta-feira, 20h
Onde - Produtora Atená (Rua Bartolomeu Bueno, 237, Vila Ipiranga), em Londrina
Quanto - Gratuito
Mais informações - (43) 9931-1231 e 9601-5498


