Os eleitos da companhia
Os eleitos da companhia
Os seis solistas da temporada do Kirov Ballet, como Altynai Asylmuratova e Faruk Ruzimatov, têm em comum aquilo que praticamente todos os bailarinos têm: vieram da Academia Vaganova. É praxe: dessa escola saem os futuros artistas que irão encantar o mundo sob o mágico nome Kirov. Raros são os que não passaram por ela e conseguem ingressar no corpo de baile. A Academia Vaganova de Balé de São Petersburgo - cujo nome é uma homenagem à bailarina Agrippina Vaganova - recebe perto de 3 mil crianças. Depois de uma seleção que dura nove meses, 50 são escolhidas. Esse grupo terá pela frente oito anos de intensos estudos.
O aprendizado inclui todas as técnicas e disciplinas do balé clássico, jazz e dança moderna, além do currículo escolar normal e aulas de inglês. A metade da turma consegue se graduar. Finalmente ingressa no Kirov, sediado desde 1886 no Teatro Mariinsky.
O Kirov Ballet tem uma história de mais de dois séculos. Em 1734 o francês Jean-Baptiste Landé chegou a São Petersburgo para dirigir um orfanato. Não levou muito tempo para montar um espetáculo de dança com as crianças. A iniciativa foi apreciada pela imperatriz Anna Ivanovna.
Quatro anos mais tarde surgia a Escola de Balé Imperial de São Petersburgo, com Landé à frente da instituição. Tinha 12 meninos e 12 meninas. Eles aprenderam os primeiros passos no sótão do Palácio de Inverno da família imperial russa.
Em 1886 outro francês, Jules Perrot, viria a reunir três notáveis professores na Escola Imperial: Marius Petipa, Christian Johansson e Lev Ivanov. Traçava-se cada vez mais o futuro singular da companhia que passaria a se chamar Kirov em 1935, como homenagem ao líder do Partido Comunista de Leningrado. (Z.C.L.)





