Uma mistura de ousadia, talento e técnica marca o trabalho do artista plástico David Wang que recentemente conquistou o primeiro lugar na categoria pintura do Salão Internacional Luso Brasileiro de Arte, realizado pela Cia Arte Cultura em parceria com a Angels Gallery, de São Paulo.
A obra premiada faz parte de quatro quadros da série ''Contrastes'', em que o artista retrata figuras humanas, sem mostrar o rosto, em ações do cotidiano, na companhia de pequenos animais. O quadro em questão (1,20 X 1,40) mostra uma mulher idosa sentada ao sol, próxima a um patinho amarelo. Em uma linguagem bem contemporânea, a técnica de óleo sobre tela ainda explora as cores primárias: azul, carmim e amarelo.
Após exposição em outubro dos 100 trabalhos finalistas na Casa de Portugal, em São Paulo, a obra será exposta no ano que vem na Galeria Abrantes, em Portugal. O júri foi composto por dois grandes nomes da arte no Brasil: Oscar D'Ambrosio e Enock Sacramento. A premiação envolveu sete modalidades artísticas: pintura, gravura, fotografia, escultura, desenho, arte digital e cerâmica. Ao todo participaram 170 artistas brasileiros.
Apesar de estar contente com a premiação, Wang destaca que lida de forma despretensiosa com o reconhecimento oficial de suas obras, fazendo questão de priorizar o que ele chama de ''júri popular''. ''Primeiramente os meus trabalhos têm que agradar a mim, e espero que eles causem emoção nas pessoas leigas, que não são críticos de arte'', afirma. ''Procuro usar uma linguagem simples, acessível, que não precise de uma explicação conceitual. A arte tem que conquistar todo mundo'', defende.
Fazendo uma comparação entre o valor percebido da obra e o valor agregado (que refere-se ao autor da obra, à sua assinatura), Wang comenta que normalmente nos concursos de arte o segundo quesito é o que mais pesa. ''Considero que o verdadeiro caminho são os dois valores serem considerados juntos'', avalia. ''Gosto de trabalhar com a ideia de que dentro da minha cabeça tenho uma caixa de ferramentas cheia de técnicas, conhecimento e temas. Criatividade é fazer o bom uso dessa caixa de ferramentas e me dou a liberdade de transitar por vários estilos; já quebrei vários tabus e mitos'', confirma.
Wang veio de Taiwan para o Brasil aos 13 anos; aos 27 adotava Londrina como sua casa, inicialmente atuando na área comercial. Hoje, aos 47 anos, colhe os bons frutos da escolha pela arte - ele dedica-se integralmente à pintura desde 2000 -, contrariando as orientações paternas. ''Meu pai achava que a vida de artista não dava futuro pela falta de reconhecimento. Sempre lutei contra isso e vejo que o sucesso foi uma consequência natural de fazer bem feito o que gosto, embora durante muito tempo tenha me dedicado à área comercial. Em 1999 estava insatisfeito com os rumos da minha vida e decidi optar pela arte'', conta Wang, que é formado em artes plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo.
Em 2000, ele foi contemplado com o terceiro lugar do Prêmio Maimeri América Latina; em 2006, participou de uma convenção comemorativa aos 30 anos da Fiat realizada em um cruzeiro pelo Mar Mediterrâneo, onde além de expor seus trabalhos, fazia retratos dos convidados. Atualmente se prepara para sua segunda exposição em Taiwan, sua terra-natal, para orgulho também dos seus conterrâneos.

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