São Paulo - Manuel Ribeiro foi um homem austero e assim educou seu filho mais velho, o hoje escritor e cronista do jornal O Estado de S.Paulo João Ubaldo. Apesar da severidade paterna, os conselhos foram úteis para a formação do garoto, que não só os aplica como utiliza como fonte de inspiração - é o que explica o pequeno mas gostoso ''Dez Bons Conselhos de Meu Pai'', lançado agora pela Objetiva. Trata-se de uma obra infantil, em que ordens aparentes como ''não seja burro'' ou ''não seja amargo'' são repassadas de forma idílica.
''Não são, é claro, nenhuma contribuição ao pensamento ocidental, mas apenas a sabedoria e os valores de um homem, como meu pai, que defendia a dignidade humana, a liberdade e a igualdade de direitos e deveres'', diz Ubaldo, lembrando que o pai era um homem bastante rigoroso. ''Não acredito que os métodos de meu pai sejam hoje considerados, digamos, apropriados. Exigia muito, cobrava o tempo todo e me impunha tarefas de todo tipo, desde copiar sermões de Antônio Vieira nas férias escolares até ''tirar'' as letras das canções francesas que ele ouvia no que então se chamava de radiola'', lembra o escritor.
Foi com o pai, inclusive, que João Ubaldo tomou gosto pela literatura. ''O último casarão em que moramos, antes de a família sair de Aracaju e voltar para a Bahia, era enorme e tinha livros em todas as paredes. Meu pai era jurista e professor de História, mas se interessava por tudo, de Filosofia a esportes, de maneira que a livrama refletia isso. Eu podia ler o que quisesse, além do que ele mandava e dos livros que comprava para mim, como os de Monteiro Lobato. De vez em quando, ele proibia um livro, mas não o escondia''.
Serviço
Dez bons conselhos de meu pai
Autor - João Ubaldo Ribeiro
Ilustrações - Bruna Assis Brasil
Editora - Objetiva
Páginas - 56
Preço - R$ 34,90

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