George Ivanovich Gurdjieff (1877-1949), nascido no Cáucaso, direcionou sua vida desde muito cedo para as questões da alma. Entrou em contato com as tradições cristã, armênia, islâmica, sufi e budista. Começou a trabalhar intensivamente seus movimentos e danças sagradas por volta de 1917, em Essentuki. A Revolução Russa faz com que se mude para a Europa, onde em 1922 funda o Instituto para o Desenvolvimento Harmonioso do Homem.
Voltado à música, Gurdjieff compunha e tocava violão, enquanto seu discípulo Thomas Alexandrovich De Hartmann (1885-1956) praticava exercícios. Porém, Hartmann é chamado a tocar e, anos mais tarde, escreveria sobre o mestre:
‘‘Muitas vezes ele assobia ou toca com um dedo no piano uma melodia de um tipo muito complicado, como são as melodias orientais, apesar de parecerem, à primeira vista, monótonas. Captar a melodia, transcrevê-la em notações européias, representa uma espécie de ‘tour de force’ e, com muita frequência, talvez para tornar mais difícil ainda para mim a tarefa, ele a modifica um pouco ao repeti-la.’’
Talento precoce, De Hartmann foi estudar regência em Munique, quando então conviveu com Schoenberg, Kandinsky, Franz Marc e outros. Voltou a São Petersburgo em 1912 e trabalhou intensamente, criando peças para orquestra, piano e voz, música para balé de de câmara.
Em 1916 conheceu Gurdjieff e sentiu que o aprendizado espiritual dava novo significado à sua vida. Passados 13 anos, Thomas de Hartmann abandona o instituto para se dedicar à carreira de compositor. No início dos anos 50 volta a dar recitais de suas músicas com Gurdjieff, e a criar novas peças para os movimentos e danças sagradas. (Z.C.L.)

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