Os compassos de uma vida
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Os compassos da vida do maestro Othonio Benvenuto devem se transformar numa biografia. O músico e pesquisador Jorgesnei Ferreira de Rezende é responsável pela organização das informações, depoimentos, fotografias e material digitalizado, que contarão a trajetória do cearense que escreveu uma partitura importante da história musical londrinense.
Para alguns entrevistados por Rezende que estiveram sob a batuta de Benvenuto, a profissionalização da música em Londrina se divide entre o antes e depois dele, mas o maior depoimento é do próprio maestro, que está com 84 anos de idade.
Em 2002, Benvenuto trocou Londrina por Gurupi, a 245 quilômetros de Palmas, capital do Tocantins (TO) para ficar mais próximo da família. Na cidade de 65 mil habitantes, que tem a história ligada à construção da estrada Belém-Brasília, Rezende encontrou o maestro.
''O Benvenuto me ligou, convidando para fazer uma biografia dele. Fui pego de surpresa. Uma coisa é você escrever sobre um personagem do passado, mas poder falar com o biografado, conhecer a pessoa e o que pensa é bem diferente'', comenta o pesquisador que durante os sete dias em que esteve na casa do maestro percorreu histórias contadas por Benvenuto.
O maestro nasceu em Jardim, palco de um episódio importante do Ceará, a Sedição ou Revolta de Pinto Madeira, um violento conflito entre a vila do Crato e o antigo vilarejo.
Aos 15 anos ele embarcou atrás dos sonhos em um Ita, famosos navios a vapor que transportavam cargas e passageiros de norte a sul do Brasil, desembarcando no Rio de Janeiro.
Conversas prolongadas, leituras de recortes de jornais e fotografias, apresentaram ao pesquisador o jovem Benvenuto que, aos 17 anos, estava dividido entre a advocacia e a música.
O Direito perdeu, mas a arte musical ganhou um trompista e oboísta, antes do maestro que esteve à frente da Banda Sinfônica do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro.
''Ao longo da carreira, Benvenuto enfrentou situações difíceis, como na mudança da capital federal do Rio de Janeiro para Brasília. Uma lei dava o direito aos funcionários federais de se tornarem estaduais. Os que optavam pelo governo federal tinham que ir para Brasília. A Banda dos Bombeiros tinha 60 integrantes, ficando somente dois, entre eles Benvenuto. Ele viajou o Brasil inteiro divulgando que a banda precisava de músicos, conseguindo formar um elenco de 80 instrumentistas. Pouco tempo depois, o grupo se tornou campeão nacional de bandas'', destaca Rezende.
Benvenuto chegou em Londrina em 1976. ''O Festival de Música de Londrina não seria o que é sem a participação do maestro'', assegura Rezende, lembrando também a participação de Benvenuto na criação da Casa de Cultura e do Coral da Universidade da UEL.
Rezende deve voltar em janeiro a Gurupi. Até lá, ele pretende reunir o máximo de depoimentos sobre o maestro. Quem puder contribuir pode mandar um e-mail para [email protected].


