Curitiba Antes mesmo de terminar o primeiro evento que discute a música sob diversos ângulos em Curitiba, o seminário ''Os Charlatões'' já conquistou a primeira vitória. Com apoio do Sesc Centro, passará a ser anual. O encontro mistura, em dez dias, discussões em mesas redondas sobre temas diversos, exposições de fotografias e cartazes, lançamento de livros, apresentação e discussão de projetos e shows com dez bandas de variados estilos.
O evento segue até sexta-feira no Sesc Centro e serve como um ponto de partida para pensar a cena musical de Curitiba. O segundo passo deve ser a abertura para abranger os principais centros de cultura do Estado num processo itinerante.
Nem mesmo os organizadores esperavam que essa estréia já tivesse tantos resultados. Como se sabe, os músicos não são muito chegados a discussões e a união nunca foi uma característica desta categoria artística. Mas o evento está atraindo perto de 250 pessoas por dia nas diversas atividades, o que dará um total de cerca de 2,5 mil participantes. A maioria composta por músicos, produtores radialistas e até patrocinadores.
A cada dia apresenta-se uma banda diferente e os participantes podem ficar sabendo de projetos, propostas e idéias ligados à música. Entre algumas que foram apresentadas está a proposta que o Estado comece a ensinar a história da música e da arte paranaense nas escolas públicas. Também existe um projeto do vereador Mário Celso Cunha (PSB) que quer tornar obrigatória a execução de 20% de música local nas rádios de Curitiba
Na noite de segunda-feira, os presentes começaram a fazer um abaixo-assinado para tentar derrubar uma lei que consideram como um dos empecilhos para o desenvolvimento musical de Curitiba. Trata-se da lei do silêncio, ou lei do barulho, adotada por determinação de Rafael Greca, quando ele era prefeito da Capital. A lei impede shows em espaços públicos a não ser em caso de comícios e no carnaval. Também coloca imensas barreiras para bares que promovem música ao vivo conseguirem o alvará de funcionamento.
''Já tentamos várias vezes promover shows em praças e parques e nunca conseguimos pois a prefeitura veta'', afirmou Mauro Mueller, coordenador de programação da rádio Transamérica de Curitiba. ''Se vocês me apoiarem, estou a fim de fazer um evento com shows na rua, mesmo que vá preso'', empolgou-se, para delírio da platéia que imediatamente apoiou a proposta de resistência cultural.
Outro projeto apresentado foi o Geração Pedreira, da rádio 96 FM, a rádio rock de Curitiba. Além de abrir a programação da rádio para bandas locais, ele promove a gravação de coletâneas já foi lançada uma de reggae e no próximo mês será lançada outra de rock , excursão com bandas pelo interior do Paraná, e um portal de internet (www.geracaopedreira.com.br) com informações jornalísticas sobre arte no Paraná e um banco de dados sobre diversos artistas que decidirem se cadastrar, além de patrocinar cartazes e divulgação na rádio.
''Este evento não é para consertar tudo de errado que existe no meio musical curitibano, mas é um processo de conscientização e uma troca de experiência onde todos os lados envolvidos estão aprendendo'', afirma o organizador, Manoel de Souza Neto. Ele, junto com o videomaker Marcelo Borges devem, ao final, produzir um documentário sobre ''Os Charlatões''.

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