A escola Bauhaus, ícone do design e da arquitetura moderna, vai completar cem anos em 2019, trazendo em sua história, além da importância como centro de artes e construção de vanguarda, a carga política que determinou seu fechamento em 1933 com a ascensão do nazismo e o banimento de seus professores que se exilaram nos EUA, dando continuidade ao trabalho.

Na comemoração de seu centenário, os centros originários da escola nas cidades alemãs de Weimar e Dessau vão ganhar museus, exposições, bem como um festival de abertura em Berlim, celebrando a data. No Brasil também acontecem comemorações, como a exposição itinerante "Bauhaus Imaginista", aberta na última quinta-feira (25), no Sesc Pompeia, em São Paulo.

A Bauhaus deu ao mundo o impulso da modernidade ao reunir arquitetura, artes plásticas e artesanato, então considerado uma atividade menor, que ganharam excelência na concepção de grandes mestres que souberam juntar tudo isso, criando conceitos que chegam à contemporaneidade ainda com o vigor de sua origem.

Onde quer que a gente olhe, em busca do design moderno, lá estarão as ideias da Bauhaus: nas linhas retas e funcionais dos edifícios aos móveis embutidos e reclináveis, que se tornaram uma marca de praticidade e bom gosto, passando por objetos de decoração de linhas simples e limpas - como as luminárias e mesas de centro com encaixes para ampliação e mais utilidades. Tudo isso tem a ver com a concepção estética da Bauhaus.

A escola, perseguida pelos nazistas, funcionou de 1919 a 1933 - primeiro em Weimar e depois numa nova sede em Dessau, a partir de 1925, antes da situação política se tornar insuportável, indispondo artistas e arquitetos com o regime totalitário que abominava tudo que se identificasse com o modernismo. A escola também fixou-se em Berlim, em 1932, já muito perto do fim.

O fundador da Bauhaus, Walter Gropius, assim como muitos artistas, arquitetos e professores ligados à instituição, emigraram para os Estados Unidos após a ascensão de Hitler, onde continuaram a dar aulas. É incrível pensar que na Europa, durante a Segunda Guerra, a Bauhaus foi considerada "comunista demais" pelos nazistas e "capitalista demais" pelos russos. Isso é mais uma demostração de como a arte e a política se tornam muitas vezes inconciliáveis.

O rol de artistas, que trabalharam e deram aulas na escola, inclui nomes de primeira grandeza como Paul Klee, Josef Albers, László Moholy-Nagy, Johannes Itten e Wassily Kandisnky, entre outros. Talentos que poderiam ter sucumbido ao nazismo e, certamente, teriam feito muita falta ao mundo, suas ideias somavam uma nova concepção de arte, criatividade e relações de trabalho. No Brasil, Oscar Niemeyer pode ser considerado um herdeiro da Bauhaus na concepção arquitetônica, com seu trabalho ousado em concreto e vidro.

A partir de 1937, Walter Gropius, o fundador da Bauhaus, passou a lecionar na Universidade de Harvard. Nos EUA ocupou-se dos arranha-céus , criando uma arquitetura que seria copiada nas décadas seguintes, também trabalhou na criação de bairros operários. Ele faleceu em Boston em 1969, mas suas ideias jamais serão esquecidas pelo que comportam de arrojo e modernidade, quando se pensa em arquitetura e planejamento urbano. Tanto o início quanto o fim da Bauhaus foram marcados pela política. Um exemplo histórico de criatividade e ousadia reduzido pela incompreensão dos que a rotularam simplesmente como "coisa de judeus e comunistas." Um fato de triste memória e, na contrapartida, uma fabulosa lição.

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