São Paulo, 01 (AE) - "Os Canhões de Navarone", de J. Lee Thompson, tem sido citado como empolgante drama de guerra. É de 1961 e daquele ano até hoje os efeitos especiais evoluíram à perfeição (com a concomitante involução da dramaturgia). Por isso, as cenas de batalha, poucas, de resto, não impressionam tanto. Mas o filme nada perde de sua eficiência, simplesmente porque sua força está em outra parte.
Está, por exemplo, no elenco composto por nomes como Gregory Peck, David Niven, Anthony Quinn e Irene Papas. Mas, sobretudo, pela ótima história, adaptada do romance de Alistair MacLean. Dois mil soldados britânicos precisam ser retirados de uma ilha grega, caso contrário serão massacrados pelos nazistas. Acontece que os navios salvadores não podem chegar até eles por causa de dois poderosos canhões, instalados na ilha vizinha de Navarone, e que bloqueiam o acesso ao estreito. Um comando, chefiado por Peck, é incumbido de destruir as armas, missão quase suicida.
O filme impõe-se por cenas de ação, moldadas em dimensão humana - isto é, nas quais não se vê nada de virtualmente impossível, como nas aventuras de um "Rambo" ou de outros personagens invulneráveis - o que só aumenta a tensão transmitida ao espectador. "Os Canhões de Navarone" é uma boa aventura comercial. A ação dramática intensa e a complexidade de relacionamento entre os personagens mostram que não há incompatibilidade entre diversão e certa reflexão. O que de fato se degradou, nos últimos anos, foi o conceito do que seja entretenimento.

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