Os candidatos estão no ar
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segunda-feira, 19 de agosto de 2002
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Vai começar o show dos políticos. A temporada de propaganda gratuita dá a largada hoje na TV e no rádio. Serão 4 horas e 20 minutos diários de bombardeio publicitário com o objetivo de conquistar os votos dos eleitores. Programas ficam menores, mudam de horário ou até vão para a geladeira para dar espaço aos quadros dos candidatos.
A maratona começa nesta manhã, às 7 horas, e prossegue até 3 de outubro, três dias antes do 1º turno. Consultados pela Folha, alguns artistas de Londrina aguardam com expectativas a nova programação, enquanto que outros já torcem o nariz. A fotógrafa Fernanda Magalhães garante que já tem candidatos definidos, mas observa que ''a propaganda poderá trazer novas reflexões''.
''O problema é que a gente sabe que a maioria só vai apresentar discursos vazios'' completa, cética. Para o desenhista de histórias em quadrinhos, Juan Marcelo Burgos (o ''Papito''), a propaganda política terá grande importância em suas escolhas. ''Não defini ainda todos os meus votos. Quero acompanhar o horário eleitoral gratuito na TV para saber mais sobre as propostas dos candidatos'' conta.
O cenógrafo Gelson Amaral, premiado esse ano com o Prêmio Shell pelo espetáculo ''Da Arte de Subir em Telhados'', recusa-se a assistir o que julga ser uma ''sessão de pastelão''. ''Acho risível e ao mesmo tempo deprimente ver políticos sem princípios tentando enganar mais uma vez o povo. A gente vem de uma sucessão de decepções, não temos mais em quem confiar. Vou ficar com a TV desligada'' diz.
O bailarino e coreógrafo Wagner Rosa, por sua vez, acha a propaganda eleitorial gratuita necessária. Mas não concorda com o formato dos programas, que considera nefasto. ''Eles fazem cinema na TV'' enfatiza. ''Iludem o telespectador com bobagens, jingles, musiquinhas. Não é uma coisa séria, compromissada, como foram os debates da Band e as entrevistas nos telejornais e no programa do Jô''.
Para o guitarrista da banda de rock The Cherry Bomb, Humberto R. Scaburi, a maratona política televisiva é ''persuasiva'', capaz de tirar os indefinidos de cima do muro. Ele ressalva, porém, que não é esse o seu caso: ''Já sei em quem votar. A propaganda não vai me influenciar em nada, mesmo porque não pretendo assistir nenhum programa''.
A cantora Sabrina Vargas também descarta a hipótese de acompanhar a overdose eleitoral na TV. ''Tem muita mentira ali'' diz. ''Quando votei pela primeira vez, cheguei a assistir a alguns programas. Mas depois que vi como funcionava a coisa, desisti''. Sabrina acrescenta que ficou irritada ao saber que o programa ''Os Normais'', atração das sextas-feiras na Globo, sairá do ar por causa da maratona política.
O poeta e dramaturgo Maurício A. Mendonça, por sua vez, admite ser um apreciador de programas eleitorais na televisão. ''Tenho uma visão crítica do sistema político brasileiro'' salienta. ''Sei que a representatividade política está em xeque. Mas gosto de analisar o jogo e observar a maneira como os marqueteiros constroem as imagens dos candidatos. Assim como tornaram o Lula palatável, vão tentar apagar a agressividade do Ciro e esconder a antipatia do Serra. Vou assistir para ver como eles trabalham as expectativas do eleitorado''.
A propaganda vai ao ar de segunda a sábado, em dois blocos de 50 minutos cada um. No rádio, ocupará a faixa das 7 às 7h50 e das 12 às 12h50. Na TV, das 13 às 13h50 e das 20h30 às 21h20. Além dessas sessões diárias, as emissoras veicularão comerciais gratuitos, das 8 à meia-noite, que serão exibidos nos intervalos da programação normal das redes de TV.


