- O primeiro
Dachau, a 17 quilômetros de Munique, na Alemanha, foi quase todo reconstruído a partir de 1965. As dimensões do campo e a disposição de seus edifícios foram mantidas como eram em 1933 e depois de sua ampliação entre os anos de 1937 e 38. As cercas eletrificadas, a prisão preventiva e o crematório também são os mesmos de quase 70 anos. No lugar dos antigos 30 barracões de prisioneiros, hoje estão no chão apenas as marcas onde foram erguidos.
Monumentos e várias manifestações religiosas homenageiam os mortos. No museu, fotografias, objetos, documentos e depoimentos contam a história do primeiro campo de concentração nazista, aberto em março de 1933 para abrigar presos políticos. Na entrada principal, o portão com a sarcástica frase ''Arbeit Macht Frei'' (O Trabalho Liberta) ainda recepciona os que chegam e, que ao contrário dos prisioneiros da época, podem sair a qualquer momento.
Construído a partir de um antigo quartel de polícia, Dachau mantinha dois espaços distintos: um reservado aos prisioneiros do campo, entre eles judeus, sacerdotes e ativistas políticos, e outro usado como prisão preventiva para membros do exército alemão e da SS (Schutzstaffel Tropa de Choque). Os generais e chefes dos futuros campos foram todos treinados em Dachau, onde eram incentivados à prática de todo tipo de tortura e de mortes em massa.

- O maior
''A única forma de vocês saírem daqui é pela chaminé dos crematórios''. Com esta frase, Rudolf Hess, chefe de Auschwitz, recebia os recém-chegados ao campo. Ao desembarcarem dos vagões de trem abarrotados, os prisioneiros deixavam ali sua dignidade, nome e regras para receber apenas um uniforme e um número de identificação tatuado no corpo. Os que não iam direto para as câmaras de gás, submetidos a um rígido sistema de trabalho pesado, como mostram os registros, tinham uma expectativa média de vida de apenas 53 dias.
Também construído sobre as antigas instalações de um quartel, desta vez polaco, Auschwitz (1940-1945) é considerado o mais estratégico dos campos. Localizado a cerca de 30 quilômetros de Cracóvia, na Polônia, o maior reduto de extermínio criado pelos nazistas era servido por uma importante rede ferroviária, o que o levou mais tarde a se converter em um campo internacional, por onde passaram prisioneiros enviados desde a Grécia, Hungria, França e Holanda.
Quase todo o complexo de Auschwitz foi reconstruído, assim como em Dachau. Apenas o crematório, alguns trechos de alambrado e os barracões são originais. No interior dos prédios onde eram confinados os prisioneiros, mostras permanentes são mantidas pelos governos dos países atingidos pelo Holocausto. Em alguns deles, amontoados de malas, óculos, sapatos, objetos de uso pessoal e cabelos tentam dar a idéia de quantas pessoas foram mortas ali.
Em outros pavilhões, depoimentos de sobreviventes expõem o dia-a-dia no campo, os castigos e o medo constante da morte certa nos porões de tortura, na câmara de gás, nas salas de experiências médicas do doutor Joseph Mengele ou mesmo diante de uma epidemia qualquer que atacava os prisioneiros. Todos estavam expostos às más condições de higiene, alimentação precária e à rotina de trabalhos pesados dentro e fora do campo.
A três quilômetros dali, em Brzezinka, estão as ruínas de Birkenau, subordinado ao campo base de Auschwitz (Oswiecim, para os polacos). Neste complexo, os nazistas construíram a maioria das instalações utilizadas no extermínio: são quatro crematórios com câmaras de gás, duas outras câmaras provisórias, fornos de incineração e valas comuns onde foram enterrados milhares de corpos na ânsia de manter a todo vapor a chamada indústria da morte. O campo ocupava uma área de 175 hectares, abrigava 300 barracões e chegou a comportar mais de 100 mil prisioneiros em agosto de 1944, quando alcançou a lotação máxima.
Mantido praticamente intacto, como os alemães o abandonaram pouco antes da chegada do exército russo em janeiro de 1945, Birkenau ainda preserva um certo clima de sofrimento. A torre principal na entrada e os trilhos de trem que levavam os vagões de prisioneiros até o centro do campo figuram no filme ''A Lista de Schindler'' e lembram o fim para cerca de 1,5 milhão de vítimas.

- Entenda o nazismo
Em maio de 1913, um homem chamado Adolf Hitler chegou em Munique, capital da Bavária. Ele veio de Viena com seus pertences em uma única maleta. Nos meses seguintes, ele mesmo pintava cartões postais e os vendia aos turistas para sobreviver. Durante a Primeira Guerra Mundial, se alistou como voluntário no exército alemão.
No final da guerra, a Alemanha saiu derrotada e humilhada, um campo fértil para o surgimento de ideologias nacionalistas radicais. Em setembro de 1919, Hitler se filiou ao Partido dos Trabalhadores Alemães, um pequeno grupo de extrema direita. Em pouco tempo, ele se tornou líder do partido e o renomeou Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSADP).
Depois de um fracassado golpe militar em novembro de 1923, Hitler foi condenado à prisão onde escreveu o livro ''Mein Kampf'' (Minha Luta). A chamada Bíblia do Nazismo continha as principais idéias nacionalistas e a teoria da raça ariana, que sugeria a superioridade alemã e o desprezo aos judeus e eslavos. Dez anos mais tarde, se tornou Chanceler do III Reich e, subsequentemente, um dos mais terríveis ditadores da história.

- Outras atrações
Em Munique, no sul da Alemanha, aproveite para visitar a Marianplatz, com seus prédios suntuosos e torres de igrejas nos mais diferentes estilos. No mês de outubro, aproveite para participar da Oktoberfest, mais famosa e tradicional festa da cerveja alemã. Já na cidade de Cracóvia, na Polônia, conheça o Rynek, uma das maiores praças de mercado da Europa. Próxima à antiga capital da Polônia, está a Wieliczka, a maior mina de sal em funcionamento no mundo.

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