Entre os anos 5 e 15 d.C. , na cidade de Tarso, província da Cilícia, atual Turquia, nasceu Saulo, filho de família judaica, criado sob rígidas normas dos fariseus, grupo religioso austero e fervoroso. Saulo, como muitos outros garotos da cidade, teve que aprender um ofício. Foi assim que ele aprendeu afazer tendas, que posteriormente seriam usadas nas inúmeras viagens que empreendeu por toda a vida.
A família de Saulo, talvez por razões de ordem comercial mudou-se para Jerusalém, cidade da Palestina, região também controlada pelo Império Romano. Saulo, como quase todos os outros judeus, passou a demostrar intolerância com os adeptos de uma nova religião surgida ali, na Palestina: o cristianismo. A perseguição mais contundente que ele faz aos cristãos culmina com o apedrejamento de Estevão, um dos sete diáconos fundadores da primeira comunidade cristã de Jerusalém. Antes de judeus e romanos atirarem as pedras, as vestes de Estevão foram jogadas aos pés de Saulo, que a tudo assistiu sem esboçar um só gesto de defesa. Não se sabe a data certa, mas o fato deu-se em cerca de 37 d.C. Saulo entrava nas casas de cristãos e arrastava homens e mulheres para o cárcere.
Não satisfeito, Saulo foi para Damasco, capital da Síria, com cartas dirigidas às sinagogas (igrejas judaicas), no intuito de prender cristãos e levar de volta para Jerusalém. Foi quase na entrada de Damasco que uma luz o cegou. A comitiva de soldados que o acompanhava também ouviu uma voz que se dirigia a Saulo, mas ninguém viu nada. Em uma casa de Damasco, Saulo, confuso, recebeu a visita de Ananias, um cristão convertido. A princípio Ananias não queria, mas obedeceu a uma voz que o mandou passar as mãos no olhos de Saulo, que voltou a enxergar e foi batizado. Logo após, Saulo foi visto em sinagogas, tentando convencer a todos que um palestino que morrera supliciado na cruz era filho de Deus. Segundo o capítulo 21 dos Atos dos Apóstolos, ‘‘todos os que o ouviam estavam atônitos e diziam: não é este o que exterminava aos que invocavam o nome de Jesus, e para aqui veio precisamente com o fim de os levar amarrados aos principais sacerdotes?’’. Confusos, os judeus tramaram a morte de Saulo, mas ele foi salvo por cristãos que o colocaram dentro de um cesto e o desceram pelas muralhas de Damasco. Tem início aí uma série de viagens. Além das tendas para dormir, Saulo carrega um novo nome: Paulo, que em latim significa ‘‘pequeno.’’
A grande mesquita dos Omíadas, onde o Papa João Paulo II esteve, entrando para a história como o primeiro chefe da Igreja Católica a visitar um templo islâmico, fica no centro de Damasco, capital da República Árabe da Síria. Para visitá-la são necessários alguns cuidados básicos. Todos, mesmo os visitantes, devem tirar os sapatos na entrada e nos horários das preces, que ocorrem cinco vezes ao dia, as mulheres ficam separadas dos homens. Não há bancos nesta (e em nenhuma outra) mesquita e todos se sentam sobre tapetes, verdadeiras obras de arte espalhadas pelo chão. Chamam a atenção também os lustres e os arcos no interior do templo, um dos mais tradicionais do islã. Os muçulmanos veneram na mesquita o túmulo de João Batista, considerado profeta anunciador do islã.
Em Damasco há vários museus, que devem ser visitados, entre eles o de arte islâmica. A cidade, com cerca de 2 milhões de habitantes, é o centro político, administrativo, intelectual e religioso da Síria. Apesar de possuir restaurantes, hotéis e até cinemas modernos, Damasco é um centro histórico por excelência. Não há como esquecer de que Paulo de Tarso andou pelas ruelas milenares, vagou pelas redondezas pregando a fé que ele adquiriu ali mesmo. A Síria, um dos países do chamado Crescente Fértil, mesmo tendo esmagadora maioria de muçulmanos su© nitas, agrega uma parcela importante de cristãos ortodoxos que segue o rito grego. Há poucos católicos apostólicos romanos no País. Existem na cidade alguns monumentos dedicados a Paulo de Tarso, que merecem ser visitados. Merece destaque uma capela erguida no local onde Paulo teria descido as muralhas para fugir à perseguição dos judeus, que o consideravam traidor.

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