Os ''caipiras'' da Bahia
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quarta-feira, 19 de junho de 2002
Lygia Rebello<BR>Agência Estado 
A Bahia não é só Carnaval e folia. Quando chega junho, quase todas as cidades do Estado se preparam para brincar no São João. E como bom povo festeiro que são, os baianos não conseguem montar nada singelo. O Pelourinho, em Salvador, esquece por um mês as batucadas e o axé e, enfeitado à moda junina, recebe 40 mil turistas por dia. Bandeirinhas coloridas, fogueiras, trios de forró e seis palcos completam o alegre arraial da capital baiana.
Bandinhas percorrem largos, praças e vielas do centro histórico da cidade animando forrozeiros de todas as idades. Tanto é assim que a programação reservou dois dos quatro dias de festa especialmente para os pequenos. Sábado e domingo tem forrozinho para que as crianças se divirtam no arrasta-pezinho.
As manifestações mais tradicionais, porém, são privilégio das cidades do interior. Mais curtas que os festejos paraibanos e pernambucanos, mas não menos divertidas, as comemorações juninas mais famosas se espalham de norte a sul da Bahia, passando por Cachoeira, Senhor do Bonfim, Cruz das Almas, Lençóis e Mucugê.
Situada a 109 quilômetros de Salvador, no Recôncavo Baiano, Cachoeira ficou famosa pela Feira do Porto, que oferece um verdadeiro banquete de comidas, bebidas e frutas da estação de dar água na boca a qualquer um.
A festa começa com uma missa à beira do Rio Paraguaçu, onde há vários palcos e diversas barracas enfeitadas que vendem licores de vários sabores e quitutes típicos. Há bandas de forró, grupos de samba-de-rodas, quadrilhas e fogueiras onde são assados milhos e batatas
Mais badalado e jovial, o São João de Senhor do Bonfim, a 374 quilômetros da capital baiana, fica cheio de jovens em busca de paquera. A agitação fica por conta de cantores como Fagner e Frank Aguiar. Mas a essência da festa junina é relembrada com a tradicional bandinha Calumbi, que sempre está pelas ruas. Ela é seguida por uma multidão que é premiada pelos moradores da cidade com licor de jenipapo, bolo de aipim e coco, tapioca e milho verde.
Mas a maior atração da festa é, sem dúvida, a Guerra das Espadas. Vestidos com capas, luvas e proteção no rosto, dezenas de homens brincam de guerreiros. De um lado fica o defensor da fogueira que é um galho de árvore com vários brindes pendurados , de outro, o grupo que quer tomá-la. Mais de 10 mil dúzias de espadas são produzidas para a batalha.
A festa em Cruz das Almas, a 142 quilômetros de Salvador também ficou famosa por causa da Guerra das Espadas. Mas, além das brincadeiras, a cidade promete muita música nordestina nos palcos do arraial e muita brincadeira em volta da fogueira.
Em Lençóis e Mucugê, perto da Chapada Diamantina, a tradição é o forte da comemoração. Na primeira cidade, o São João começa com uma cavalgada que carrega o estandarte com o retrato do santo que dá nome à festa. Pau-de-fita, pau-de-sebo, quebra-pote, quadrilha e casamento na roça animam a festa junina.
Já em Mucugê, as árvores ganham saias, olhos e boca de papel crepom e as luminárias das praças são enfeitadas com máscaras de caipiras. Em todas as portas há fogueiras que iluminam o caminho das quadrilhas que dançam e desfilam pelas ruas. A festa é grande e não é para menos, pois São João é o padroeiro da cidade.
SERVIÇO:
Mais informações sobre as festas baianas pelo telefone (0--71) 370-8400
Site www.bahiatursa.ba.gov.br


