Os brasileiros vêem Che e a Revolução Cubana
Elisa Marilia Carneiro
Mauro FrassonO jornalista e escritor cubano Eddy Jimenez entrevistou personalidades brasileiras que falaram sobre Che Guevara e a revolução cubana‘‘Falando de Cuba - Falando de Che’’, é o livro do escritor e jornalista cubano Eddy Jimenez, que tenta mostrar como personalidades brasileiras viram a Revolução Cubana na década dos anos 60 e como a vêem agora, 40 anos depois.
Em primeiro de janeiro de 1999 se comemoram os 40 anos da Revolução Cubana e, no ano passado, foi aniversário de 30 anos de morte de Che Guevara, líder maior da Revolução Cubana. O livro pretende resgatar a memória do que acontecia no Brasil na década de 60 e o que o unia a Cuba, a influência da Revolução Cubana em todo o Continente.
A obra de Eddy Jimenez está sendo escrita em três volumes. Apenas o primeiro está totalmente pronto e começa a ser lançado dia 10 de junho no Brasil. É o que discute Che Guevara com os teólogos Leonardo Boff e Frei Betto. Os próximos volumes estão sendo montados com entrevistas feitas com os intelectuais Oscar Niemayer e Jorge Amado e, com os políticos Miguel Arraes e Leonel Brizola. Destes, só Brizola conheceu pessoalmente o líder cubano.
Em comum, as idéias de esquerda, a admiração pela Revolução Cubana e pela figura de Che. ‘‘Todos falam como se Che Guevara estivesse vivo, como se pudessem encontrá-lo a qualquer momento. É desta forma que os cubanos tratam Che. Daí se sente o peso do líder que é considerado o maior líder mundial deste milênio’’, afirma Jimenez.
Uma liderança de múltiplas facetas, Che Guevara concentrava as virtudes de político, filósofo, humanista, médico e intelectual. ‘‘Isso é muito raro. Não existe no mundo todo outro perfil como o de Che. Ele é conhecido e seguido em todo o mundo. Os jovens trazem, com orgulho, a figura de Che no peito. Ele é sem dúvida o homem mais conhecido deste século. A frase de Che: ‘‘É preciso endurecer, sem perder a ternura’’, é conhecida no mundo todo’’, confere.
O mundo está órfão de lideranças como Che, acentua Jimenez. ‘‘E isso se traduz em desesperança. É preciso alertar para uma depressão social, para a qual o mundo capitalista está levando a Humanidade. O neoliberalismo está criando condições - violência, drogas, fome, desemprego, desigualdades, destruição do meio ambiente - para uma grande comoção social’’, adverte.
Jimenez afirma que o Capitalismo, nos seu 400 anos, não conseguiu resolver os problemas da Humanidade. ‘‘Mas a Humanidade não suportaria outros 400 anos. Apenas o Socialismo com essência humanista poderia resolver, com justiça social, os problemas que emergem no mundo todo.’’ Como exemplo, ele cita a experiência de Cuba, tentando fazer um mundo novo.
Todas essas afirmações são baseadas em suas pesquisas sobre a personalidade de Che Guevara e na sua experiência como diplomata na Bulgaria, entre 1974 e 1991. Atualmente, Jimenez é titular da cadeira ‘‘Ernesto Che Guevara’’, na Universidade de Havana e professor do departamento de Jornalismo.
Para o professor, a essência de Che está no exemplo de um trabalhador social. ‘‘Um trabalhador social que nunca esqueceu, jamais, que a essência o homem é a sua consciência. Esta é a essência do ideário de Che.’’

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