A tão esperada autobiografia dos quatro rapazes de Liverpool que um dia foram mais famosos que Jesus Cristo já levou editora e livreiros britânicos a calcular quanto deverá render – até agora, a cifra imaginada é cerca de 1 bilhão de libras, ou R$ 2,7 bilhões.
Espera-se que pelo menos 20 milhões de exemplares de ‘‘The Beatles Anthology’’ sejam vendidos em todo o mundo, em versões que incluem até mesmo o chinês.
Livrarias já aceitavam encomendas meses antes da data prevista para o lançamento mundial, que ocorre hoje. Foram feitos mais de 1,5 milhão de pedidos.
Desde a meia-noite, as livrarias abriram suas portas à espera dos compradores, assim como fizeram em julho, quando foi lançado o quarto e mais recente volume da série Harry Potter, da escocesa J.K. Rowling.
A espera do livro, para fãs ou curiosos em geral, é mais que justificada: é a primeira vez que a história dos Beatles é contada pelos seus integrantes – depois de já ter se tornado tema de quase 400 livros de qualidade diversa desde 63, quando a banda ainda vivia seus primeiros anos.
‘‘The Beatles Anthology’’ tem 367 páginas e 350 mil palavras. Já foi comparada pelos próprios autores a um dos volumes da Enciclopédia Britânica –outro ícone da cultura local. Boa parte das fotos, que ilustram suas páginas, selecionadas entre 1.200, é inédita e retirada dos baús pessoais do quarteto.
O livro conta que tudo começou quando Paul se deu conta de que ‘‘até o amigo do leiteiro’’ já havia escrito a história dos Beatles, menos eles. E foi assim que convenceu George e Ringo a se sentarem nos últimos seis anos para falar sobre suas histórias.
Os depoimentos de John, morto em 80, que completam a edição, foram compilados com a autorização de sua viúva, Yoko Ono, que deve ficar com um quarto da receita obtida com as vendas, segundo acordo com os outros três. Outra fonte de informação foram as transcrições da série para TV e vídeo ‘‘The Beatles Anthology’’.
Muita gente desconfia que o livro não trará tantas novidades – mas nunca se sabe. Hoje, a imprensa britânica já adiantou uma das surpresas. No livro, os Beatles contam que seu empresário, Brian Epstein, ofereceu a eles, no começo da carreira, um contrato eterno que lhes garantiria apenas 50 libras por semana.
Outra revelação é a de que foi John, e não Paul, quem propôs o fim da banda, em 1970. A história da banda não é novidade em livros. Dois beatles já contaram suas vidas em livro. George foi o primeiro, em 80, com a autobiografia ‘‘I Me Mine’’, uma edição de luxo limitada. Em 97, foi a vez de Paul falar sobre sua vida e fazer um balanço de seu tempo nos Beatles. A sua biografia autorizada se chama ‘‘Many Years from Now’’ (editada no Brasil pela DBA, R$ 45,00, 778 págs.) e foi escrita pelo jornalista e amigo Barry Miles. Como os acontecimentos que ocorrem depois de 70 ocupam uma pequena parte resumida no final do livro, a ‘‘biografia’’ é a versão de McCartney para a carreira dos Beatles.
O produtor George Martin, considerado o ‘‘quinto beatle’’, também já contou sua versão da história em ‘‘Summer of Love -The Making of Sgt. Pepper’’ (no Brasil, ‘‘Paz, Amor e Sgt. Pepper, Relume Dumará, R$ 29, 196 págs.), publicado em 88.

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