OS ANOS PSICODÉLICOS
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sexta-feira, 07 de julho de 2000
Nelson Sato de Londrina 
Quando se fala em rock inglês, é impossível omitir a importância da psicodelia como matriz de suas várias vertentes. Nem a banda Deep Purple escapou da influência. É o que revela um pacote lançado este mês no Brasil pela gravadora EMI reunindo os CDs Shades of Deep Purple (1968) , The Book of Talyesin (1968) e Deep Purple (1969).
O material traz versões remasterizadas acrescidas de faixas-bônus raras ou nunca apresentadas ao público. Apresenta os primeiros passos do grupo que, anos mais tarde, tramaria o hard rock ao lado do Led Zeppelin e do Black Sabbath preparando terreno para o surgimento do heavy metal. Deep Purple é o menos citado dos três, embora os riffs de Smoke on the Water façam parte de qualquer ABC do rock e seu célebre órgão Hammond ecoe em bandas novatas como o Kula Shaker.
Além dos três lançamentos históricos, mais dois discos estão chegando simultaneamente às lojas: In Profile (EMI), um CD-promocional contendo trechos de faixas e depoimentos de seus integrantes, produtores e amigos; e Deep Purple In Concert With the London Symphony Orchestra (Roadrunner), no qual a banda tem o acompanhamento solene da orquestra sinfônica de Londres sob regência do maestro Paul Mann.
Mas são os títulos da primeira fase da banda que contam. Na época, o Purple tinha Rod Evas nos vocais, Ritchie Blackmore na guitarra, John Lord nos teclados, Nick Simper no baixo e Ian Paice na bateria. O Purple fazia mais sucesso nos Estados Unidos do que em seu próprio país, onde só conquistaria o público em 1970 com o álbum In Rock.
Em Shades of Deep Purple, o trabalho de estréia, o psicodelismo bate ponto em cada nota que salta do órgão de John Lord. O CD inclui covers de Help dos Beatles e Hey Joe de Jimi Hendrix, ambas com versões diferentes nas faixas extras. Hush, regravada recentemente pela banda britânica Kula Shaker, levou o Purple às paradas da América.
O sucesso animou os executivos da gravadora Tetragrammaton, que meteu os rapazes no estúdio para gravar às pressas um novo disco. O resultado é o irregular The Book of Taliesyn, cujo repertório mescla baladas, longas introduções eruditas e até levadas de black music. O destaque é a climática e percussiva Shied, que se tornaria um dos clássicos da banda.
As covers de We Can Work It Out (Beatles), Kentucky Woman (Neil Diamond) e River Deep Mountain High (Ike & Tina Turner) fecham o baú. Já em 1969, o Purple entra pela última vez num estúdio com Rod Evans e Nick Simper, que seriam substituídos por Ian Gillan e Roger Glover dando início aos anos de glória com a formação clássica.
Batizado com o nome do grupo, o terceiro álbum traz ainda um esboço do que viria a ser a sonoridade posterior, mas contém um mix irretocável de Lalena e Fault Line, a primeira revelando tensão instrumental e a segunda registrando um duelo de virtuosismo sacolejante entre Blackmore e Lord. De bandeja, o CD serve duas versões-extras de Emmaretta, que ficara de fora da versão original do disco tornando-se um dos singles mais raros e procurados pelos fãs.
Como boa parte dos chamados dinossauros do rock, o Deep Purple merece ser ouvido pelo que fez lá atrás. Esse pacote de CDs supre, em parte, a vontade.


