ReproduçãoOs velhos castelos, palácios e abadias construídos em pedra transportam o visitante para uma época de glóriaDurante mais de cinco séculos, primeiro com os abades de Cluny e depois com os duques de Bourgogne, o poder e a influência da Borgonha se estenderam através do mundo ocidental. Hoje, as velhas pedras das abadias, hospitais, palácios, castelos e antigos vinhedos são o passaporte para aquela época.
‘‘Até onde sopram os ventos, os abades de Cluny mandam’’ dizia o ditado, na época em que os abades de Cluny comandavam 10 mil monges agrupados em 1.100 estabelecimentos religiosos espalhados pela Europa.
Desde o início da Idade Média, a abadia beneditina de Cluny oferecia proteção e estabilidade em um tempo em que a França e a Alemanha eram somente reinados incertos, lutando para consolidar uma autoridade feudal.
Hoje restam apenas algumas partes da primeira abadia de Cluny, a maior igreja romana jamais construída. As ruínas porém, dão a dimensão do que foi a ascensão e a queda da glória do lugar.
O declínio da influência (mas não da fortuna) de Cluny coincidiu com o despertar do poder dos duques de Borgonha. A idade de ouro do ducado começou quando Felipe o Intrépido assumiu o poder em 1364. O seu casamento com Margarete de Flandres deu início ao poderoso estado flamengo borgonhês, ao unir ricas tradições artísticas flamengas com a riqueza e a sensibilidade dos padrões artísticos da Borgonha.
Terraço dos cafés Foi o princípio de uma época sem igual nas outras províncias da França, que durou um século e deixou marcas inesquecíveis na arte e na arquitetura gótica.
A capital, Dijon, foi remodelada pelos duques, que conseguiram reunir os melhores artistas da época. Andando nas calçadas das velhas ruas da cidade, não se pode deixar de admirar as igrejas góticas, as lindas decorações das casas dos nobres e dos ricos comerciantes e, finalmente, o antigo palácio dos duques. São belezas que podem ser admiradas desde o terraço dos cafés, que cercam as numerosas praças da cidade.
O palácio ducal de Dijon é hoje sede do Museu de Belas Artes e abriga uma fabulosa coleção de arte e várias obras góticas, como os túmulos de Felipe o Intrépido, do seu filho João e sua nora Margarida da Baviera, além da antiga sala dos guardas.
Uma das mais imponentes construções dessa época são os Hospices de Beaune, o mundialmente famoso Hotel Dieu. O seu telhado multicolorido é o claro resultado do casamento entre as artes flamengas e da Borgonha.
Outros castelos e mosteiros da região também têm esse tipo de telhado, mas só esse abriga ‘‘O Julgamento Final’’, famosa obra gótica de Roger Van de Weyden. O Hotel Dieu foi construído em 1443 por Nicholas Rolin, o chanceler do duque e seu homem de confiança. Além dos Hospices, ele também doou mais de 1 mil hectares de terra, incluindo alguns dos melhores vinhedos da Borgonha. Ainda hoje, 60 hectares desses vinhedos pertencem aos Hospices e o leilão desses vinhos, que acontece no terceiro domingo de novembro, é o maior evento vinícola da região.

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