Os 80 anos de Al Pacino
Sua voz rouca e um estilo sombrio e duro moldaram personagens ruidosos e introvertidos. E fizeram sua fama
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segunda-feira, 27 de abril de 2020
Sua voz rouca e um estilo sombrio e duro moldaram personagens ruidosos e introvertidos. E fizeram sua fama
Carlos Eduardo Lourenço Jorge/ Especial para Folha2 
Há quem goste muito desse perfil artístico excêntrico-desmedido, um mix de influências no qual predominou “o Método” – lições de dramaturgia sistematizadas pelo Actor’s Studio de Nova York. Há quem goste menos. Mas ignorar ? Ninguém que um dia viu na tela grande as mais variadas performances do ator – sim, performances, porque ele nunca atuou assim, digamos, simplesmente – pode, em sã ou insana consciencia, ignorar o mafioso Michael Corleone da trilogia “Godfather”, os policiais complexos de “Serpico”, “Parceiros da Noite” e “Fogo contra Fogo”, o assaltante gay de “Um Dia de Cão” ou o traficante Tony Montana de “Scarface”. Ou o advogado maquiavelico de “O Advogado do Diabo”.
Nascido em 25 de abril de 1940, o novaiorquino Alfredo James Pacino já tinha nos genes a marca da carreira. Seus avós maternos eram oriundos da comuna italiana de Corleone, na Sicília, província de Palermo. A mesma paisagem que visitaria três décadas depois para as filmagens de algumas das sequências mais lembradas de “O Poderoso Chefão”. Pouco tempo depois de seus estudos no “Actor’s Studio” (66 a 68) e de sua discreta estreia no cinema em 1969 (“Me Natalie”), Pacino se converteria em um dos mais importantes representantes da geração do “star system” masculino que deu nova disposição à Hollywood dos anos 1970, junto à Jack Nicholson, Robert Redford, Robert De Niro, Dustin Hoffman e Steve McQuen.

Apesar do imenso sucesso, e de salários sempre em alta, Pacino tem um carreira com menos títulos (60) do que seus contemporâneos, como De Niro, por exemplo (mais de 100 personagens). Também procurou se manter distante da imprensa mais focada na vida pessoal de personalidades. Solteirão convicto, manteve ligações com várias atrizes (Jill Clayburg,, Tuesday Weld, Diane Keaton, Debra Winger, Marthe Keller). Companhia difícil, disseram todas.
O folclore em torno de sua personalidade (e sobre seus personagens na maioria estridentes e introvertidos) é amplo: sua assídua frequência ao divã de analistas e seu alcoolismo durante muitos anos foram etapas alvo de atenção da mídia sensacionalista.
Sobre a bebida, dizia sempre que não se recordava da década de 70 (“e para ser sincero, também a de 80...”. Dirigiu para o cinema alguns projetos, sempre ligados ao teatro, mas sem maiores repercussões.
Indicado nove vezes ao Oscar, levou em 1992 por “Perfume de Mulher”, mas há controvérsias. Fez coisas bem melhores, mas a Academia, como sempre, preferiu os handicaps. No momento está disponível na série “Hunters”, da Amazon. A evitar.


