Os 30 anos da Rolling Stone
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de maio de 1998
Guto Barra Planet Pop-AE 
ReproduçãoO ex-beatle John Lennon aparece em capas antológicas da Rolling StoneA história dos últimos 30 anos do rock está retratada em um livro que celebra o aniversário da mais influente publicação do gênero, a Rolling Stone. As mais de 700 capas que fizeram a fama da revista norte-americana nas últimas três décadas estão reunidas no livro Rolling Stone - The Complete Covers 1967-1997. O volume reúne trabalhos de fotógrafos como Richard Avedon, Annie Leibovitz, Herb Ritts e Albert Watson, entre outros, sempre acompanhados das histórias de cada sessão com os artistas.
Quando a Rolling Stone começou, não havia nenhuma revista de rock com uma capa apropriada, diz Mick Jagger no livro. Ter um grande assunto principal na frente era novidade para uma publicação de música. O espírito das capas da revista também é bem definido pelo seu primeiro editor, Jann S. Wenner. A Rolling Stone não é apenas sobre música, mas também sobre as coisas e atitudes que a música envolve, escreveu ele no primeiro editorial da revista, em novembro de 1967.
Criada para tentar cobrir o mundo pop sem a seriedade das publicações que analisavam o mercado ou a ingenuidade das revistas adolescentes, a Rolling Stone sempre teve a proposta de tentar inovar. Uma das primeiras capas a chamar a atenção foi a da edição de um ano, em 1968, que trouxe a foto de John Lennon e Yoko Ono pelados. A imagem havia sido feita para o disco Two Virgins, que acabou sendo lançado com uma embalagem de papel marrom.
ReproduçãoClaudia Schiffer faz parte da geração que apareceu na RS nos anos 90
Foi o primeiro número da revista - na época ainda em formato de jornal - a se esgotar nas bancas e ganhar uma segunda impressão. John e Yoko voltariam a fazer parte da história da publicação em 1981. Annie Leibovitz fotografou o ex-líder dos Beatles sem roupa, abraçado à sua mulher, poucas horas antes de ele ser assassinado em frente ao edifício Dakota, em Nova York.
Lidar com questões políticas também foi uma proposta da revista desde os anos 70. O envolvimento de Patricia Hearst com terroristas, revelado em 1975, foi uma das mais importantes edições da Rolling Stone naquela década, enquanto no ano seguinte, Richard Avedon foi premiado por conta de seu trabalho em um número sobre generais, políticos e líderes trabalhistas.
Nos anos 80 o fotógrafo Mark Seliger assumiu parte do papel de Leibovitz, que deixou a revista em 1983. Durante a década, a Rolling Stone elegeu Madonna como sua artista feminina favorita e se envolveu ainda mais com o cinema, analisando fenômenos como Os Irmãos Cara-de-Pau, E.T. - o Extraterrestre e Mad Max.
Os anos 90 trouxeram, além da movimentação em torno do grunge, a estréia de modelos como Claudia Schiffer e Cindy Crawford nas capas da revista. Em apenas dois anos, Sinéad OConnor foi o assunto principal de três edições da Rolling Stone, que também apostou em Julia Roberts, Neneh Cherry e Madonna para estabelecer uma nova identidade com o público jovem. Nos últimos anos, fenômenos da TV norte-americana também passaram a aparecer com mais frequência nas capas, que incluíram destaques para programas como Seinfeld, Beavis and Butt-Head e Friends.


