Os 200 anos de um mito
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quarta-feira, 24 de julho de 2002
Claude Casteran<br> France Presse 
Paris - As comemorações este mês do bicentenário de nascimento de Alexandre Dumas, nascido em 24 de julho de 1802, em Villers-Cotterêts (Picardia, norte da França), terá como ponto culminante o traslado de suas cinzas ao Panteão de Paris, onde a França venera suas grandes figuras.
O traslado das cinzas do escritor francês mais lido no mundo ainda não tem data certa, mas deverá acontecer em outubro ou novembro próximo.
''Com esse gesto, a República dará o lugar que merece a um de seus filhos mais turbulentos e mais talentosos (...) que esteve a vida toda a serviço de nosso ideal republicano'', declarou, em março passado, o presidente Jacques Chirac.
Filho de um general da revolução, Alexandre Dumas Davy de la Pailleterie teve em vida um grande êxito de público, embora muitos intelectuais do século XIX - e XX - desprezassem seus livros por considerá-los muito populares.
A obra de Dumas, no entanto, marcou profundamente a imaginação coletiva francesa e foi uma fonte inesgotável de inspiração para a produção literária e cinematográfica.
O êxito das traduções de seus romances para quase todos os idomas do mundo prova que suas obras, apesar de baseadas na História da França, são universais, pois souberam cativar os leitores que desconheciam totalmente o panorama histórico da mesma.
''Finalmente é reconhecido o que Alexandre Dumas é: um prodigioso rio narrativo'', afirmou seu biógrafo Claude Schopp.
Criador de mitos literários inesquecíveis , entre eles, D'Artagnan e os três mosqueteiros e o Conde de Montecristo, ele escreveu uma obra literária imensa, fundou e dirigiu dois jornais, dirigiu peças teatrais e se comprometeu com a liberdade de sua época.
O chamado ''Dumas pai'' - para distingui-lo de seu filho, também batizado Alexandre Dumas e também escritor, autor, entre outras obras, de ''A Dama das Camélias''- faleceu em 1870, em Puys (norte da França).
Dumas repousará ao lado de outro grande nome das letras francesas, que em vida foi seu amigo, Victor Hugo, enterrado no Panteão em 1º de junho de 1885.
O autor de ''Os miseráveis'' escreveu sobre ele: Dumas ''é mais que francês, é europeu, é mais que europeu, é universal. É um desses homens aos quais podemos chamar de semeadores da civilização''.


