‘‘Le Prisonnier de Chillon’’ (foto superior) e ‘‘Hamlet devant le corp Polonius’’ de Delacroix: pintura refinada e espiritualizada



A França está comemorando os 200 anos do nascimento de EugSne Delacroix, pintor apontado como a ‘‘quintessência do romantismo’’ e que influenciou ‘‘superstars’’ da pintura como Edouard Monet, Paul Cézanne, Vincent Van Gogh e Pablo Picasso. Exposições de suas obras acontecem em Paris, Rouen e outras cidades. Em geral são dedicadas a um determinado aspecto de sua carreira - o que levou alguns críticos a considerarem a comemoração ‘‘dispersiva’’.
Delacroix despontou na década de 1820 ao abordar temas novos em suas obras, usando cores agressivas e deixando o rigor do desenho em um segundo plano. Em suma, contrariando os preceitos então predominantes na pintura francesa. Era plena época do neoclassicismo, com seus desenhos harmoniosos pintados com cores discretas. Por esse motivo, Delacroix foi apontado como revolucionário. Hoje, há quem conteste isso. ‘‘Delacroix tinha uma visão que diferia do neoclassicismo vigente, mas seu trabalho teve sempre relação com a tradição dos grandes mestres’’, diz Vicent Pomarde, comissário da exposição ‘‘Os Últimos Anos’’, realizada em Paris.
No balanço geral, Delacroix se destacou mesmo pela sua independência, que colocava a serviço de uma grande imaginação. ‘‘Eu achava charmoso ser detestado por todo o mundo e estar em guerra com o gênero humano’’, escreveu em seu diário.
A exposição organizada por Pomarde, no Grand Palais, traz quadros pintados entre 1850 e 1863, ano da morte de Delacroix. Em seus últimos anos, com seus quadros vendendo bem, ele realizou um trabalho ‘‘mais alegre, refinado e colorido, mas também mais contemplativo e com uma forte espiritualidade’’, nas palavras de Pomarde. A mostra conta com quatro obras pertencentes ao Masp (Museu de Arte de São Paulo), a série inacabada conhecida como ‘‘As Estações Hartmann’’. Em outras exposições, como a do Museu de Belas Artes de Rouen, é representada exatamente a sua face romântica, evidente sobretudo no início da carreira. A maior coleção de obras do período romântico, porém, faz parte das exposições permanentes do Museu do Louvre. Lá está, por exemplo, o quadro ‘‘A Morte de Sardanapalo’’, de 1827, cujo tratamento ousado lhe rendeu críticas até mesmo de colegas românticos. Já a Biblioteca Nacional exibe, em Paris, uma retrospectiva completa de suas gravuras, além de desenhos e aquarelas.

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