Em dezembro de 1987, a Cia. Dramática Bombom pra Que se Pirulito tem Pauzinho Pra se Chupar estreou a peça ‘‘Aniversário de Vida, Aniversário de Morte’’, adaptação do texto ‘‘Nossa Cidade’’, de Torton Wilde. Esse primeiro olhar, obsessivo, curioso e impaciente possuía alguns achados na adaptação, mas a habilidade de conduzir o grupo de jovens atores foi o maior acerto que se viu no palco.
‘‘Quando comecei, achei que teria facilidade em conduzir os atores e que não ia me dar bem com a encenação. Descobri que não sabia dirigir atores e a parte cênica era mais fácil pra mim’’, rememora o diretor e fundador do grupo, em 1987. Na época nem havia a pretensão de fazer um segundo espetáculo, por isso o nome tipicamente juvenil do grupo, que logo perdeu o sentido à medida que o interesse pelo teatro cresceu.
Logo a seguir vieram uma sucessão de espetáculos, ‘‘Périplo, o Ideograma da Obsessão’’, ‘‘Onomatopocket’’, ‘‘A Construção do Olhar’’, ‘‘Folias Anomalias’’, ‘‘O Enigma de Cid’’ e ‘‘Alabastro’’. Em Londrina, o grupo conquistou dois espaços importantes para a sedimentação do nome da companhia e para o amadurecimento do processo de preparação de atores, o ‘‘Lugar do Bombom’’ e o ‘‘Teatro Armazém’’. Depois da ‘‘maioridade’’, a mudança do nome para Armazém Companhia de Teatro foi inevitável. A pedra angular na trajetória do grupo se deu com ‘‘A Ratoeira é o Gato’’, quando foi colocada à prova a linguagem teatral do grupo, cujos elementos de técnicas corporais foram aliados a um trabalho de exploração de diversos registros de voz.
Os 60 anos de Londrina foram comemorados com a montagem de ‘‘A Tempestade’’. A seguir veio ‘‘Sob o Sol em Meu Leito Após a Água’’, ‘‘Alice Através do Espelho’’, ‘‘Esperando Godot’’ até desaguar em ‘‘Da Arte de Subir em Telhados’’.
O fato de ocupar espaços alternativos acabou por ser decisivo na linguagem cênica do Armazém. Com o sucesso do grupo, as premiações nos mais badalados festivais do País, as viagens se tornaram rotina. Durante oito meses ao ano, a trupe estava na estrada. ‘‘Foi um processo natural ir para o Rio Janeiro, já havia trabalhado como diretor contratado, fui convidado para ser professor na Casa de Artes Laranjeiras. Nunca pensei em ir para São Paulo’’, afirma Paulo de Moraes. Atualmente, eles ocupam parte da Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, e a cada novo espetáculo reinventam esse espaço.
Como identidade de trabalho, o Armazém Companhia de Teatro, segundo o diretor, possui duas características importantes: a delicadeza no trabalho de atores e a ocupação de espaços alternativos.
Com 15 anos de estrada, no espetáculo ‘‘Da Arte de Subir em Telhados’’, a característica de associar técnicas de movimentos com expressividade vocal, como argumenta Paulo de Moraes, está mais sofisticada e elaborada.

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