Os 100 anos de Brecht
OS 100 ANOS DE BRECHT
A partir de hoje, exposições, vídeos e peças comemoram o centenário de Bertolt Brecht
Beth Néspoli
Agência Estado
ReproduçãoBertolt Brecht: muito encenado no Brasil nos anos 60 e 70, seu teatro merece reflexãoIniciadas em janeiro, as comemorações do centenário de nascimento do alemão Bertolt Brecht no Brasil surpreendem, por suas dimensões, até mesmo aqueles que reconhecem nele o mais importante dramaturgo deste século. Muito encenado no País nas décadas de 60 e 70, época em que a temática social de seu teatro serviu como instrumento de resistência ao regime militar nos palcos, Brecht andou meio fora de moda nos últimos tempos.
Este ano, entretanto, seja por meio de exposições, debates, exibição de filmes e vídeos, publicações, leituras dramáticas ou montagens de suas peças, tanto em São Paulo como no Rio, o público poderá entrar em contato com parte substancial de sua obra. Além de divertir, a extensa programação promete uma oportuna reflexão sobre a atualidade de seu teatro.
Nascido em 10 de fevereiro de 1898, em Augsburg, sul da Alemanha, Brecht escreveu cerca de 50 peças e mil poemas. Em 1947, com sua mulher, Helene Weigel, criou o Berliner Ensembler, durante décadas uma das mais prestigiadas companhias teatrais do mundo. A companhia esteve no Brasil no ano passado e virá novamente este ano, em agosto, como parte da programação planejada pelo Instituto Goethe do Brasil.
ProgramaçãoHoje, O tributo a Bertolt Brecht, espetáculo com apresentação única no Teatro Popular do Sesi, às 20h30, dará início à programação paulistana. Sob a direção geral de Antonio Abujamra, durante uma hora e meia, atores, músicos e cantores apresentarão trechos de peças, poesias e canções de Brecht e Kurt Weill. Denise Del Vecchio, com A Alma Boa de Setsuan, a Companhia do Latão, com Santa Joana dos Matadouros, e ainda o grupo Parlapatões, os atores Guilherme Leme e Roberto Lage, as atrizes Bete Goulart e Myriam Muniz e a cantora Cida Moreira estão entre os cerca de 70 artistas que vão integrar o espetáculo, com entrada gratuita.
Também hoje, o crítico Sábato Magaldi abre uma série de debates no auditório da Biblioteca Mário de Andrade e na Universidade Mackenzie, por iniciativa do reitor Cláudio Lembo e com apoio da Secretaria Municipal de Cultura. Estudiosos do autor como Gerd Bornheim e Fernando Peixoto, organizador da obra teatral de Brecht editada pela Paz e Terra, estarão entre os palestrantes. Acho utilíssimo voltar a pensar Brecht, porque o teatro precisa reaprender a examinar os problemas sociais, comenta Sábato.
Há novos caminhos para o antigo Brecht? A pergunta será o ponto de partida de debates reunindo especialistas em Brecht do mundo inteiro, entre eles o inglês John Willett, no ciclo internacional de palestras Brecht 100 anos, que ocorre em agosto no Centro Cultural Banco do Brasil em parceria com o Instituto Goethe.
Mas quem não quiser esperar até lá para pensar sobre o tema, não deve deixar de ler o primeiro número da revista Vintém, que será lançada amanhã, às 19 horas, no Teatro de Arena Eugênio Kusnet. Idealizada pelo crítico e diretor teatral Sérgio Augusto de Carvalho, com artigos do crítico Roberto Schwarz e do diretor alemão Mathias Langhoff, entre outros, a revista é leitura obrigatória para quem quer refletir sobre o lugar de Brecht na cena contemporânea.
Sérgio Carvalho é um dos diretores a integrar uma turnê de 15 espetáculos, de 2 a 29 de março, por 13 teatros do Sesc localizados no interior de São Paulo. Cibele Forjaz, com A Vida de Galileu, Márcio Aurélio, Marcelo Fonseca, Alexandre Stockler são alguns dos diretores responsáveis pelas montagens, todas sobre textos de Brecht. Queremos ainda produzir espetáculos em cada uma dessas 13 cidades com grupos locais e, em abril, promover uma grande mostra em São Paulo, diz Ricardo Fernandes, um dos responsáveis pela programação.
No Rio, Os F... e Privilegiados, companhia dirigida por Antônio Abujamra, iniciou em janeiro uma série de leituras dramatizadas, todas as segundas-feiras no Teatro Dulcina. Até o fim do ano, terão sido lidas todas as peças do autor. Com apoio do Instituto Goethe, da Rio Arte e Editora Paz e Terra, a programação envolverá cerca de 300 atores convidados e 30 diretores, além de músicos e palestrantes. Parece muito? Não é tudo. Além dos desdobramentos nas programações citadas, muitas outras estão sendo planejadas, em todo o Brasil. Ignorar Brecht este ano será uma tarefa quase impossível.





