Orquestra solo homenageia Jobim
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quarta-feira, 28 de outubro de 1998
DivulgaçãoDiogo Pacheco, o maestroSimone Mattos 
Com o objetivo de aproximar a música clássica e a popular, a Orquestra Solo Brasileiro fará hoje a sua segunda apresentação em Curitiba, no Guairão. No ano passado, o concerto que uniu o maestro Diogo Pacheco, o pianista Arthur Moreira Lima e o violinista Cussy de Almeida, lotou o teatro.
Foi terrível no bom sentido, brincou o maestro Pacheco, que se apresentará novamente ao lado dos mesmos solistas. Desta vez, o recital homenageará o compositor brasileiro Tom Jobim, em comemoração ao 40º aniversário da bossa nova. No ano passado, o nome escolhido foi Pixinguinha.
Mostramos o quanto a música popular brasileira é clássica, ao mesmo tempo em que os clássicos podem ser populares, afirmou Pacheco. Para ele, tornar os clássicos acessíveis a toda a população é apenas uma questão de divulgação. Por isso fazemos frequentemente concertos ao ar livre, em várias cidades brasileiras, onde chegamos a reunir até 60 mil pessoas.
DivulgaçãoArthur Moreira Lima, o pianistaEle citou também o exemplo dos compositores Vivaldi e Mozart, que se tornaram populares graças à mídia. O primeiro com a propaganda do desodorante Vinólia e o segundo com o filme Amadeus, exemplificou.
A Orquestra Solo Brasileiro, que neste ano se apresentará apenas em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro, contará com 50 músicos. No ano passado eram apenas 17, o que permitiu que o concerto se deslocasse para oito cidades brasileiras.
No repertório estarão algumas das mais famosas canções de Tom Jobim, como Garota de Ipanema, Wave, Chega de Saudade, Corcovado, Luiza e outras, arranjadas para solos de violino, piano e orquestra de cordas. Obras de Chopin e Mozart também serão interpretadas.
Outra tática do maestro para aproximar os clássicos do público é o seu posicionamento no palco. Há 34 anos, ele rege a orquestra de frente para a platéia, conversando com ela, o que se tornou sua marca registrada.
DivulgaçãoCussy de Almeida, o violinistaPacheco comentou que o público curitibano é especialmente culto para a música clássica. Apesar disto, não é brincadeira lotar um Guairão, afirmou.
A mesma preocupação é compartilhada por um dos sócios da empresa patrocinadora do evento, a KPMG, Lino Campion. Especializada em consultoria e auditoria e com sede em São Paulo, a empresa possui 80 mil funcionários, em 150 países.
Há dois anos, a KPMG apóia e incentiva a música clássica. Entretanto, sabemos que a apresentação em Curitiba é sempre uma ação difícil, pois o teatro é muito grande, disse.
Na turnê do ano passado, quando a empresa investiu R$ 1 milhão e 200 mil nas apresentações, a Orquestra Solo Brasileiro foi vista por cerca de 6 mil pessoas em todo o Brasil, sendo mil apenas em Curitiba. Desta vez, o investimento foi de R$ 650 mil, sempre através da Lei Rouanet.
A experiência foi excelente, pois nos tornamos mais simpáticos e visíveis no mercado, afirmou Campion. Outra expectativa da KPMG, através do projeto Solo Brasileiro, seria a de sensibilizar mais empresas a participar de projetos culturais. A música clássica necessita de apoio, pois está desprotegida, disse.
Concerto com a Orquestra Solo Brasileiro - hoje, às 21 horas, no Grande Auditório do Teatro Guaíra (fone 041-322.2628). Os ingressos custam R$ 25,00, R$ 15,00 e R$ 10,00.


