Orquestra Sinfônica Nacional da RAI apresenta-se até 4ª em SP
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sábado, 03 de julho de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 04 (AE) - Um dos mais prestigiosos conjuntos italianos, a Orquestra Sinfônica Nacional da RAI, apresenta-se de amanhã (05) a quarta-feira (07), no Teatro Cultura Artística, em São Paulo. O regente é o israelense Eliahu Inbal e o solista, o jovem italiano Roberto Cominati. No programa, obras de Bocherini e Berio, Ravel, Shostakovich, Verdi, Grieg e Mahler.
"Não há uma razão mística, mas clássica, para tudo o que está no repertório", brincou Inbal, em entrevista por telefone de Buenos Aires, onde a orquestra se apresentou no fim de semana. "É comum esperarem de uma orquestra italiana que toque somente autores italianos, mas uma boa orquestra pode tocar de tudo - e mesmo o Berio que estamos fazendo é completamente tonal", afirmou.
Inbal nasceu em Israel, em 1936. Estudou no Conservatório de Jerusalém e no Conservatório de Paris com Louis Fourestier. Em 1962, foi aluno de Sergiu Celibidache na Accademia Musicale Chigiana, em Siena.
Em 1963, recebeu o prêmio Guido Cantelli no La Scala de Milão. Depois de dois anos, fazia a estréia à frente de uma orquestra na mesma casa e, logo depois, regia a Filarmônica de Londres.
Em 1969, ele regeu em festivais em Salzburgo, Berlim e Lucerna. Estreou como regente de óperas com o D. Carlos, de Verdi, em Verona.
De 1974 a 1991, foi o principal maestro da Hessian Radio Symphony Orchestra e, de 1984 a 1987, diretor do teatro La Fenice, em Veneza (que mais tarde seria dirigido pelo brasileiro Isaac Karabtchevski).
Na temporada 1992/1993, ele regeu a ópera Die Gezeichnete, de Schreker, em Zurique, com grande sucesso. Em 1995, regeu Der Prinz von Homburg, de Henze.
Sob a regência dele, ocorreram as premires de A Queda da Casa de Usher, de Claude Debussy (1977), e a Sinfonia número 1, de Detlev Muller-Siemens (1981). Pergunta - Como foi ser aluno do grande Sergiu Celibidache? Eliahu Inbal - Eu tinha 24 anos quando fiz o curso com Celibidache. Ele era muito metódico, muito científico. Queria uma interpretação científica para o gesto, para a interpretação. É uma perspectiva boa, leva à disciplina e foi muito importante na minha formação. Ele era rigorosíssimo: 90% foram reprovados após dois anos. Mas ele queria tudo ao mesmo tempo e eu fui buscar o meu próprio caminho. Pergunta - E como o sr. define o seu caminho? Inbal - Eu procurei um modo de exprimir-me. Com disciplina, mas um caminho analítico. Quando estudo uma partitura, eu busco - como dizia o maestro Franco Ferrara - a "natureza selvagem" do intérprete. Mas também não se pode fazer tudo do modo analítico, é preciso buscar a própria personalidade. Pergunta - O sr. gravou a Tetralogia de Wagner. Isso não lhe trouxe problemas com a comunidade judaica? Inbal - É preciso fazer uma separação da pessoa e de sua arte. Stravinski era ávido por dinheiro, era um oportunista, mas isso não me interessa se a sua música for boa. Nós não executamos Stravinski, mas a música dele. Wagner era um fenômeno criminal. Mas a sua música não tem nada de mal, é pura. Não se podem escrever idéias literárias na música, assim como não há música racista ou música democrática. A música exprime qualquer coisa de abstrato. A Nona de Beethoven foi admirada por Mao Tsé-tung e pelos russos e pelos europeus. E daí? Pergunta - Nem todo mundo pensa assim em Israel. Inbal - Sim, em Israel há restrições à execução de Wagner, mas não parte de músicos. Geralmente, parte de gente que veio dos campos de concentração, que vêem em Wagner um símbolo do nazismo. É um fenômeno social e psicológico e eu o compreendo. Pergunta - Qual é a estrutura atual da Sinfônica da RAI? Inbal - Ela tem três grandes conjuntos, além da Sinfônica de Turim, que é a nossa: a RAI de Milão, a RAI de Roma e a orquestra de câmara. Os concertos são transmitidos pela rádio estatal italiana e também pelas redes de televisão.


