São Paulo, 10 (AE) - A temporada da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) começa amanhã (11), às 21 horas, no Teatro São Pedro, com a apresentação do oratório "A Criação", de Haydn, sob regência do maestro e diretor-artístico da Osesp, John Neschling. O concerto terá participação da soprano Rosana Lamosa, do tenor Fernando Portari, do baixo Eldar Aliev e do Coral Sinfônico do Estado de São Paulo, regido por Naomi Munakata.
"A Criação" ocupa lugar especial na obra de Haydn, particularmente por ter renovado o gênero que encontrou em Haendel sua expressão máxima. Regido pela primeira vez há dois séculos, pelo compositor Salieri, aquele que no filme "Amadeus" é acusado de "envenenar" Mozart, o oratório começou a ser composto em 1796, cinco anos após a morte deste e de uma visita de Haydn a Londres, onde assistiu a um festival de oratórios de Haendel.
Gravado pelos maiores maestros do mundo, de Karajan a Dorati, passando por Munchinger e Hogwood, o oratório tem também um histórico de grandes vozes (Lucia Popp, Gundula Janowitz, Irmgard Seefried). É, portanto, uma peça de alto risco, que desafia regentes e solistas. Neschling, que cantou numa gravação histórica de Karajan, está tranquilo. O prestígio da Osesp entre os críticos e o público tem permitido aceitar desafios cada vez maiores, tornando viável a realização de integrais e projetos como "A Criação".
Para os dois concertos com o oratório de Haydn (o segundo será no sábado, às 16h30) foram convidados alguns dos melhores cantores da nova geração, como a soprano Rosana Lamosa e o tenor Fernando Portari, ambos cariocas. O baixo Eldar Aliev, que nasceu em Baku, no Azerbaijão, há 28 anos, está atualmente no elenco de "The Fiery Angel", no Teatro alla Scala, onde futuramente vai cantar na ópera "La Forza del Destino". Grandes vozes - Rosana Lamosa tem igualmente uma carreira internacional, iniciada em 1991 como solista do "Réquiem de Mozart" em Portugal e apresentações como solista na Suíça. Finalista do Concurso Internacional Luciano Pavarotti há quatro anos, Rosana se tem destacado em papéis mozartianos, cantando em montagens de "Le Nozze di Figaro", "Cos Fan Tutte", "Don Giovanni" e "A Flauta Mágica".
"Ela é uma das melhores cantoras da nova geração e tem uma voz muito parecida com a de Lucia Popp em sua juventude", diz o maestro Neschling. A soprano checa (naturalizada austríaca) foi, até sua morte, em 1993, uma das melhores intérpretes do repertório mozartiano, outro ponto em comum com a brasileira, eleita pelos críticos paulistas como a melhor cantora de 1996.
O tenor Fernando Portari também fez carreira no exterior cantando ao lado de grandes nomes da ópera, como Renato Bruson e Eva Marton, sendo igualmente eleito pela Associação Paulista dos Críticos de Arte como melhor cantor lírico de 1997. No ano passado, ele estreou em Veneza, na ópera "Fidelio", de Beethoven. Obra maior - Nechling não poupa elogios aos solistas brasileiros e ao baixo azerbaijano Eldar Aliev, que tem 28 anos. "Ele tem uma uma voz excepcional", garante o regente, que amanhã sobe ao palco para dirigir um conjunto de 123 músicos, entre instrumentistas, integrantes do Coral Sinfônico e solistas vocais numa obra que considera "a maior do século 18" e há muitos anos não é apresentada em São Paulo.
Não será a única obra de Haydn na temporada deste ano da Osesp. Sinfonias do compositor austríaco estão programadas ao lado de outras obras-primas de Brahms (Réquiem Alemão), Bruckner (Sinfonia número 4), Mahler (Sinfonias números 2 e 3), Mozart (Missa da Coroação), Bach (Paixão segundo São Mateus) e uma composição inédita do compositor italiano Marco Betta, escrita especialmente para a Osesp, que finalmente deve inaugurar sua sede, na antiga Estação Júlio Prestes, em junho.

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