Orquestra de pandeiros é a atração de hoje
Orquestra de pandeiros
é a atração de hoje
DivulgaçãoPandemônio: orquestra de pandeiros que se apresenta no Percpan passeia por todos os gêneros, do jazz ao coco
De Salvador
Missão: tirar o pandeiro da cozinha rítmica e levá-lo à sala de visita. Gênero: todos, do jazz ao coco, do choro ao blues, do reggae ao xaxado. O nosso trabalho está calcado na poliritmia, informa Wilson Paz, um dos 11 integrantes da Pandemônio, a primeira - e pelo que se sabe única - orquestra de pandeiros existente no Brasil. Pois bem, os pandeiristas cariocas são uma das atrações de hoje do Percpan.
O grupo surgiu há cerca de três anos a partir da idéia do percussionista Marcos Suzano que queria porque queria montar uma orquestra de pandeiro. A coisa toda começou de maneira despretensiosa. Ou seja, todos os integrantes se conheceram num dos cursos que Suzano frequentemente ministra no Rio de Janeiro. E daí que de toque em toque e de ensaio em ensaio resolveram levar adiante, e de forma profissional, a tal orquestra de pandeiros.
Trata-se de um trabalho interessante cuja proposta é extrair as várias possibilidades rítmicas que o instrumento oferece. Isso se faz através das diferentes afinações dos pandeiros (timbres graves, médios e agudos) que podem ser revestidos com couro de cabra ou mesmo náilon.
E essa nova forma de rever as batidas do pandeiro acabou arrancando elogios de bambas. Entre eles, David da Portela, veterano pandeirista, que foi assistir a um show da orquestra e fez questão de elogiar publicamente os integrantes. Outras feras também endossaram o trabalho da Pandemônio como Elza Soares, Nelson Sargento, Wilson Moreira e João Nogueira.
Claro, Marcos Suzano é, digamos, o mentor intelectual do grupo. Mas os integrantes fazem questão de deixar bem claro que já trilham um caminho próprio. Tanto é que desde dezembro contrataram um diretor musical para melhor lapidar o estilo. E o escolhido foi Edu Szajnbrum. Nós o chamamos para alinhavar nosso trabalho, diz Cláudia Goes. E é sempre bom ter um toque de fora, completa Nana Zeh. As duas são as únicas mulheres do grupo.
Todos os músicos têm atividades paralelas - há engenheiro, psicólogo, ator, jornalista, advogado, por exemplo. Mas às terças e quintas, à noite, todos se dirigem à Catsap, escola de música carioca, onde se conheceram, para ensaiar. Claro, todos querem ver a orquestra cada vez mais reconhecida. Mas manter um grupo por quase três anos só pode ser sintetizado assim: amor à música, afirma Wilson Paz. (A.M.J.)





